domingo, 9 de agosto de 2015

Drogas: Campos realiza pesquisa para implementar ações


photos (47)A Prefeitura de Campos concluiu pesquisa para nortear as políticas públicas municipais de combate ao crack e outras drogas e para estimular usuários a buscarem acompanhamento nos equipamentos da rede de saúde e socioassistencial do município. O município já desenvolve ações pelo programa federal “Crack – é possível vencer”, mas, com base na pesquisa, a prefeitura passa a adaptar essas ações à realidade local, tornando as estratégias de combate mais eficazes.
Chefe do Gabinete de Gestão Integrada Municipal (GGIM), da Superintendência de Paz e Defesa Social, a doutoranda em Sociologia Política pela Uenf, Suéllen Souza, destaca que os municípios que aderiram ao programa desenvolvem ações baseadas na pesquisa nacional sobre o crack. “Campos inova, mais uma vez, realizando uma pesquisa para verificar a real situação do uso de crack no município”, destaca.
– A pesquisa apresentou dados importantes sobre o crack, mostrando que os usuários, em sua maioria, são homens negros e pardos, moradores de rua, com o Ensino Fundamental incompleto, fazem uso do crack associado a outras drogas, têm idades entre 16 e 40 anos, entraram para o mundo das drogas por influência de amigos ou ruptura dos vínculos familiares e obtém o dinheiro para o consumo com a própria família, pela prática de atividades ilícitas ou através de esmolas – conta a chefe do GGIM.
Em relação à sobrevida de pessoas que passam a utilizar o crack, Suéllen conta que a pesquisa demonstrou uma singularidade em Campos. “Diferente da realidade nacional, em Campos, os usuários consomem a droga há mais de um ano e temos pessoas que usam há 10 anos. Isso desmistifica a ideia de que o crack mata com rapidez, que o consumo contínuo dessa droga transforma em pouco tempo os usuários em pacientes terminais. Vemos, então, que atendimentos em saúde devem ser pensados não só para curto prazo, mas para médio e longo prazos também. A pesquisa nos dará esse norte, para identificarmos as políticas necessárias para recuperar a cidadania dessas pessoas”.

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