domingo, 16 de agosto de 2015

Mercado de trabalho mais exigente requer pessoas mais qualificadas


Joilza Rangel - 24h - foto Rodolfo Lins (17)
As pessoas que pensam que, para entrar no competitivo mundo do mercado de trabalho, basta ter qualificação profissional, estão enganadas. É preciso ter qualificação e algo mais, como por exemplo, se adequar ao perfil da empresa em que está se candidatando, respeitar horários, normas, comportamentos, entre outros, ou seja, agregar valores. E este “algo mais” que faltar, pode ser sinônimo de desemprego.
Tudo isso é lembrado pelo Balcão de Empregos, órgão da Superintendência de Trabalho e Renda, vinculado à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, De acordo com a superintendente, a professora Joilza Rangel Abreu, é por essas e outras que o balcão hoje é respeitado e procurado pelo empresariado, não só de Campos, mas de toda região. Joilza aponta, ainda, que de janeiro aos dias atuais, 1.771 pessoas já foram qualificadas no município, em mais de 20 cursos variados, que têm feito diferença na vida de muitas delas.
Não foi à toa que, em 2013, ainda quando Secretaria de Trabalho e Renda, Campos foi colocada em 36º lugar num universo de 50 municípios, como a cidade que mais contratou, de acordo com Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), órgão do Ministério do Trabalho. E também não é à toa que, atualmente, o órgão tem parceria com 10 empresas privadas para oferecer o melhor aos campistas.
Joilza Rangel - 24h - foto Rodolfo Lins (5)
Confira a entrevista:
Campos 24 Horas – Qual é o perfil de pessoas que procuram o balcão?
Joilza Rangel – Não existe um perfil determinado. Temos pessoas de diferentes escolaridades, desde o básico, até curso superior e, também, pessoas de todas as idades. Na semana passada mesmo, tivemos uma senhora de 75 anos que foi se candidatar a uma vaga no curso de costura, uma pessoa que sentiu necessidade de se qualificar. Temos pessoas que sabem que não basta fazer um curso e parar, tem que agregar valores.
C24H – E porque muitos não são selecionados para as vagas ou ficam desempregados logo?
Joilza – Porque as empresas hoje estão cada vez mais exigentes. O funcionário tem que ser pró ativo, ter comprometimento com a empresa, seguir o seu perfil, mostrar envolvimento com o trabalho. Sem falar na pontualidade, assiduidade, respeitar as normas, entre outros. Para você ter uma ideia do grau de exigência de uma empresa, às vezes a gente envia mil currículos, para ela selecionar 30 pessoas, que é o número de vagas dela.
C24H – E as empresas continuam procurando o balcão, quando têm oferta de vagas?
Joilza – Com certeza, é uma questão de credibilidade. O empresariado coloca suas vagas lá no balcão, sem contar que nós também disponibilizamos o espaço para eles fazerem suas entrevistas, recrutamento e até treinamento. E claro que somente os mais qualificados conseguem a tão almejada vaga de emprego. Nós ficamos sabendo que existem outros balcões de empregos na cidade, particulares, mas que na verdade não são balcões de emprego, porque nesta nomenclatura está embutida a venda de curso. Ou seja, oferecem vaga de emprego, mas a pessoa tem que fazer determinado curso. A gente não faz isso. Nós encaminhamos o currículo da pessoa para a vaga oferecida, independente dela ter qualificação ou não. Aí vai depender de cada um. Nós não damos cartinha de emprego a ninguém. Sem contar que também oferecemos cursos, todos de graça.
Joilza Rangel - 24h - foto Rodolfo Lins (7)C24H – Quantos e quais cursos estão sendo oferecidos atualmente?
Joilza – Estamos com 25 cursos à disposição, entre eles, salvatagem e huet, montador de andaime. Auxiliar de cozinha, técnico em segurança do trabalho, assistente de administração pessoal, cozinheiro básico, noções básicas de costura, assistente de operações de logística portuária, almoxarife, auxiliar de plataforma, informática básica, entre outros, com nove empresas parceiras, incluindo o Sest/Senat, Cietec. Vale ressaltar que está tendo uma grande procura pelo curso de costura, já alcançando 160 alunos, divididos em oito turmas.
C24H – E diante desses cursos todos, tem mais vindo por aí?
Joilza – Sim, como nos anos anteriores, vamos promover junto com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, cursos voltados a profissionais e empresários que trabalham em bares, quiosques, restaurantes, pousadas e hotéis na praia de Farol de São Tomé, já visando o Deguste Farol, que acontecerá este ano. Vamos fazer uma parceria com a Superintendência do Idoso, para promover oficinas no espaço da Colônia de Férias da Terceira Idade de lá.
C24H – Há alguns meses fizemos matéria com a senhora, que falou de um trabalho de escuta começado nas comunidades…
Joilza – É verdade. Inicialmente a gente foi em algumas localidades, conversou com os moradores, levantou as necessidades, o que eles queriam em termos de cursos e, ainda, o que aquele empresariado dali podia oferecer para os seus mais preparados. Agora vamos retornar, partindo para a região norte do município, além de Lagoa de Cima e Rio Preto.Joilza Rangel - 24h - foto Rodolfo Lins (10)C24H – E os cursos do Pronatec. Não têm mais?
Joilza – Este ano o governo federal ainda não liberou, para município nenhum do país, verba específica, mas quando o fizer, fazer realizar diferentes cursos que, aliás, já foram apontados por nós como os necessários. Escolhemos cursos para atender a demanda do campo, na parte agrícola, também na área de logística, atendimento e camareira. Para o campo, podemos destacar cursos de fruticultura, sistema de irrigação, criação de peixe, avicultura, apicultura, agricultura orgânica e outros. Na outra fase qualificamos 178 alunos.
C24H – E por falar em cursos em parceria com o governo federal, e o Programa Certifique, para profissionais da construção civil?
Joilza – Esse também nós estamos aguardando a liberação pelo governo federal. Mas quando for liberado, também vamos realizar os cursos, que são voltados para aqueles que já trabalham na construção civil (pedreiros, ajudantes, azulejistas, armadores e outros), mas que não têm sua certificação, muitas vezes, exigida por uma empresa maior, por exemplo.
C24H – Vamos falar agora da emissão de carteira de trabalho…
Joilza Rangel - 24h - foto Rodolfo Lins (7)Joilza – Hoje elas são digitalizadas e a primeira parte desse trabalho nós fazemos, em parceria com a Superintendência do Ministério do Trabalho, que fica com a fase final do documento. Esse trabalho é oferecido de segunda à sexta-feira, das 8 às 17h. Até agora já agilizamos 806 carteiras de trabalho.
C24H – No início da entrevista a senhora falou de um atendimento sócio assistencial que é feito no balcão. Que atendimento é esse?
Joilza – É um atendimento muito importante. São pessoas que são atendidas nos nossos Centros de Referência e Assistência Social (Cras), Centros de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), Centro Pop e, ainda, pessoas encaminhadas pela Justiça para fazer cursos de qualificação e até mesmo para concorrer a vaga de emprego. Só este ano já atendemos neste área, a 794 pessoas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário