/s.glbimg.com/jo/g1/f/original/2017/09/18/xbpg4x55umxmqb55nt0bs4552049935.jpg)
A Polícia Civil concluiu o inquérito sobre a morte da médica Milena Gottardi, baleada no dia 14 de setembro deste ano, ao sair do Hospital das Clínicas, em Vitória. O ex-marido dela, o policial civil Hilário Frasson, de 44 anos, e o pai dele, Esperidião Carlos Frasson, de 70 anos, foram indiciados por homicídio, qualificado por feminicídio, emboscada e furto.
Os outros quatro envolvidos, Bruno Broetto Rodrigues, apontado como quem emprestou a moto para o crime, Dionatas Alves, acusado por ser o executor, e Valcir da Silva e Hermenegildo Palauro Filho, intermediários, foram indiciados por homicídio qualificado, emboscada e furto.
O furto é referente ao celular de Milena, que foi roubado para que o crime parecesse um latrocínio, linha de investigação descartada. Informações e possíveis provas presentes no celular da vítima não foram divulgadas devido ao sigilo das investigações, segundo a polícia.
A Polícia Civil pediu à Justiça a prisão preventiva de todos os seis acusados. Eles foram presos de forma temporária (por 30 dias) mas a Justiça prorrogou a prisão por mais 30 dias na última semana.
Inquérito
O inquérito tem um total de 2.194 páginas, 43 depoimentos, 9 laudos periciais e 10 volumes. O titular da Delegacia Especializada em Homicídios Contra a Mulher (DHPM), Janderson Lube, explicou a motivação de cada um dos acusados para assassinar a médica.
“Cada um teve sua motivação. O Bruno e o Dionatas queriam a recompensa. O Hermenegildo e o Valcir, apesar de não falarem em valor, dificilmente teriam participado se nenhum valor fosse oferecido”, disse o delegado.
Lube completou afirmando que Hilário não aceitava a separação. “Esperidião e Hilário não aceitavam o fim do relacionamento. No caso de Esperidião, não aceitava por motivos morais, por ter ajudado a médica na época da residência médica em São Paulo. Ele passou a ver a nora como um problema”, apontou.
Segundo o chefe da Polícia Civil no Espírito Santo, Guilherme Daré, será aberto um processo administrativo disciplinar contra Hilário, que poderá ser afastado por 90 dias e até expulso da Polícia Civil. Hilário continua preso na Delegacia de Novo México, em Vila Velha. A Polícia Civil também divulgou imagens do dia do crime, no Hospital das Clínicas. É possível ver que o carro, um Gol G5 onde estão Hermenegildo e Valcir, passam pelo local antes do crime. .
Imagens
Dionatas, o executor, chega logo depois, em uma Honda CB 300, roubada para a prática do crime.
Por fim, também foram registradas imagens da saída dos acusados do local do crime, após a morte da médica. Carta
A Polícia Civil também explicou que a carta escrita por Milena foi muito importante para montar uma linha de investigação. Segundo o delegado Janderson Lube, foi possível desconstruir o que Hilário tinha falado quando foi questionado pela primeira vez com a Polícia Civil.
“Foi importante para indicar a linha de investigação. Ele disse, no início, que tudo estava bem e que a separação era amigável, mas a carta mostrou que não era bem assim”, explicou./i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2017/2/k/6BbAL3TK6GnSjFuwrz5Q/motocasomilena.jpg)
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2017/2/k/6BbAL3TK6GnSjFuwrz5Q/motocasomilena.jpg)
Na carta, Milena relatou que estava passando por problemas e admitiu a possibilidade de Hilário matar ela. Ela falava que a separação não estava sendo amigável e que tinha medo que ele poderia fazer.
A pena dos acusados pode chegar a 30 anos, no total, se somadas todas as penas.
O outro lado
O advogado de Hilário Frasson, Homero Mafra, não atendeu os telefonemas da reportagem. Já a defesa de Esperidião Carlos Frasson, feita pelo advogado Hiran Silva, afirmou que vai aguardar a conversão da prisão de temporária para preventiva para pedir a revogação.
O advogado de Dionatas Alves e Bruno Broetto Rodrigues, Leonardo Rocha, declarou que não tinha conhecimento do indiciamento e recebeu com surpresa a conclusão do inquérito. No caso de Bruno, ele lamentou o indiciamento sem ao menos ter tido uma oportunidade de ouví-lo novamente.
Já no caso de Dionatas, o advogado ponderou que as autoridades policiais chegaram à finalização do inquérito somente após a colaboração do indiciado e que o cliente vai continuar com a mesma disposição até a finalização do julgamento.
O advogado de Hermenegildo Palauro Filho, David Passos, afirmou à reportagem que após a conclusão do inquérito vai pedir ao juiz a revogação da prisão para que seu cliente possa responder em liberdade. “A presunção da inocência é garantia constitucional”, declarou a defesa.
Carlos Eduardo Lyrio, advogado de Valcir da Silva, disse que pelas imagens não é possível atestar a presença de Valcir no local do crime. Ele continua considerando o depoimento do cliente à polícia ilícito, por não ter a presença de um advogado ao lado.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2017/K/z/A3IJ8CS5CVliy8IGfA6Q/arteb.jpg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário