quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Polícia conclui inquérito e seis envolvidos na morte da médica Milena Gottardi são indiciados, no ES

Médica Milena Gottardi Frassom (Foto: Arquivo Pessoal)
A Polícia Civil concluiu o inquérito sobre a morte da médica Milena Gottardi, baleada no dia 14 de setembro deste ano, ao sair do Hospital das Clínicas, em Vitória. O ex-marido dela, o policial civil Hilário Frasson, de 44 anos, e o pai dele, Esperidião Carlos Frasson, de 70 anos, foram indiciados por homicídio, qualificado por feminicídio, emboscada e furto.
Os outros quatro envolvidos, Bruno Broetto Rodrigues, apontado como quem emprestou a moto para o crime, Dionatas Alves, acusado por ser o executor, e Valcir da Silva e Hermenegildo Palauro Filho, intermediários, foram indiciados por homicídio qualificado, emboscada e furto.
O furto é referente ao celular de Milena, que foi roubado para que o crime parecesse um latrocínio, linha de investigação descartada. Informações e possíveis provas presentes no celular da vítima não foram divulgadas devido ao sigilo das investigações, segundo a polícia.
A Polícia Civil pediu à Justiça a prisão preventiva de todos os seis acusados. Eles foram presos de forma temporária (por 30 dias) mas a Justiça prorrogou a prisão por mais 30 dias na última semana.

Inquérito

O inquérito tem um total de 2.194 páginas, 43 depoimentos, 9 laudos periciais e 10 volumes. O titular da Delegacia Especializada em Homicídios Contra a Mulher (DHPM), Janderson Lube, explicou a motivação de cada um dos acusados para assassinar a médica.
“Cada um teve sua motivação. O Bruno e o Dionatas queriam a recompensa. O Hermenegildo e o Valcir, apesar de não falarem em valor, dificilmente teriam participado se nenhum valor fosse oferecido”, disse o delegado.
Lube completou afirmando que Hilário não aceitava a separação. “Esperidião e Hilário não aceitavam o fim do relacionamento. No caso de Esperidião, não aceitava por motivos morais, por ter ajudado a médica na época da residência médica em São Paulo. Ele passou a ver a nora como um problema”, apontou.
Segundo o chefe da Polícia Civil no Espírito Santo, Guilherme Daré, será aberto um processo administrativo disciplinar contra Hilário, que poderá ser afastado por 90 dias e até expulso da Polícia Civil. Hilário continua preso na Delegacia de Novo México, em Vila Velha. A Polícia Civil também divulgou imagens do dia do crime, no Hospital das Clínicas. É possível ver que o carro, um Gol G5 onde estão Hermenegildo e Valcir, passam pelo local antes do crime. .

                                                                                  Imagens

 Dionatas, o executor, chega logo depois, em uma Honda CB 300, roubada para a prática do crime.
Caso Milena Gottardi (Foto: Arte/ A Gazeta)Outra gravação mostra Milena, já fora do hospital, conversando com outras pessoas. O momento exato do crime não foi registrado, pois aconteceu em outro ponto da região próximo ao hospital.

Por fim, também foram registradas imagens da saída dos acusados do local do crime, após a morte da médica.                                                                    Carta

A Polícia Civil também explicou que a carta escrita por Milena foi muito importante para montar uma linha de investigação. Segundo o delegado Janderson Lube, foi possível desconstruir o que Hilário tinha falado quando foi questionado pela primeira vez com a Polícia Civil.
“Foi importante para indicar a linha de investigação. Ele disse, no início, que tudo estava bem e que a separação era amigável, mas a carta mostrou que não era bem assim”, explicou.Imagem mostra chegada de executor ao local do crime (Foto: Divulgação/ Polícia Civil)
Na carta, Milena relatou que estava passando por problemas e admitiu a possibilidade de Hilário matar ela. Ela falava que a separação não estava sendo amigável e que tinha medo que ele poderia fazer.
A pena dos acusados pode chegar a 30 anos, no total, se somadas todas as penas.

O outro lado

O advogado de Hilário Frasson, Homero Mafra, não atendeu os telefonemas da reportagem. Já a defesa de Esperidião Carlos Frasson, feita pelo advogado Hiran Silva, afirmou que vai aguardar a conversão da prisão de temporária para preventiva para pedir a revogação.
O advogado de Dionatas Alves e Bruno Broetto Rodrigues, Leonardo Rocha, declarou que não tinha conhecimento do indiciamento e recebeu com surpresa a conclusão do inquérito. No caso de Bruno, ele lamentou o indiciamento sem ao menos ter tido uma oportunidade de ouví-lo novamente.
Já no caso de Dionatas, o advogado ponderou que as autoridades policiais chegaram à finalização do inquérito somente após a colaboração do indiciado e que o cliente vai continuar com a mesma disposição até a finalização do julgamento.
O advogado de Hermenegildo Palauro Filho, David Passos, afirmou à reportagem que após a conclusão do inquérito vai pedir ao juiz a revogação da prisão para que seu cliente possa responder em liberdade. “A presunção da inocência é garantia constitucional”, declarou a defesa.
Carlos Eduardo Lyrio, advogado de Valcir da Silva, disse que pelas imagens não é possível atestar a presença de Valcir no local do crime. Ele continua considerando o depoimento do cliente à polícia ilícito, por não ter a presença de um advogado ao lado.

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