Dez homens mascarados e armados aterrorizaram os comerciantes da Avenida Leitão da Silva, em Vitória, e mandaram que os lojistas fechassem as portas na manhã desta quinta-feira (26). Repórter da Rádio CBN Vitória (92,5 FM), o jornalista Caíque Verli chegou a ficar preso dentro de uma das lojas.
Um terror difícil de descrever
"Quem lida com a reportagem na rua sabe que o inesperado faz parte do jornalismo. Protesto, acidente, ser hostilizado por populares ou até mesmo por entrevistados. Mas nunca me imaginei em uma situação como a que vivi nesta quinta-feira: no meio de um toque de recolher, preso em uma das lojas da avenida Leitão da Silva, enquanto apurava detalhes da ação de dez homens fortemente armados e mascarados que deram ordem para que todos os comerciantes fechassem as portas. Um terror difícil de descrever".
O RELATO
Recebi a informação do toque de recolher durante o programa CBN Vitória, no final da manhã, e me desloquei com o motorista da rádio para a Leitão da Silva, em busca de depoimentos de comerciantes e funcionários que testemunharam o momento de terror em uma das vias mais importantes de Vitória.
Lojas fechadas na Leitão da Silva após toque de recolher
Foto: Ricardo Medeiros | GZ
Quando chegamos ao local, os comerciantes, ainda assustados, começavam a abrir as portas, depois da promessa da Polícia Militar de que haveria patrulhamento constante na região, dando segurança para que o comércio voltasse a funcionar. O que não se cumpriu. Conversava com um lojista dentro de uma dessas empresas, com metade das portas abertas, quando um membro do grupo retornou, gritando novamente para que os comerciantes obedecessem à ordem de fechar as lojas. Entre o Estado e os bandidos, os comerciantes tiveram que seguir a voz do crime. Ninguém se sentia seguro ali. Ninguém.
Junto ao dono do comércio e seus funcionários, fiquei preso naquela loja. Foram de 20 a 30 minutos de pavor lá dentro. O medo não foi capaz de superar a adrenalina da profissão. Da loja, entrei ao vivo na Rádio CBN e no telejornal ESTV 1ª edição, pela internet, para informar aos capixabas sobre aquela manhã de terror na Leitão da Silva.
A voz, um pouco trêmula, talvez tenha conseguido transmitir um pouco do drama vivido por aqueles comerciantes que não sentiram nenhuma segurança para manter as lojas funcionando nesta quinta-feira. Mesmo depois do retorno da polícia, os trabalhadores tiveram que ir para casa mais cedo, no meio do expediente. Profissionais que amanhã voltam ao trabalho, na esperança de que a voz do Estado (na promessa de mais segurança) fale mais alto que a voz do crime.
OUTRO LADO
O major Gustavo, da Polícia Militar, disse à reportagem que reforçou a segurança e que faz buscas para encontrar os criminosos. "A gente colocou 15 viaturas de reforço, de patrulhamento tático que estão patrulhando as avenidas, os becos", afirmou. Até a publicação deste relato, ninguém havia sido preso.
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