quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Dono de pizzaria fala sobre o momento em que foi baleado por PM

Após abrir a porta, o policial já o pegou no colo correndo e colocou na viatura
Após abrir a porta, o policial já o pegou no colo correndo e colocou na viatura
Foto: Reprodução/TV Gazeta
"Ele abriu a porta, já me pegou correndo no colo e colocou na viatura. Dentro da viatura eu perguntei a ele: e o rapaz que atirou em mim, vocês conseguiram pegar ele? O que aconteceu? Ele falou: 'Não, quem atirou em você fui eu mesmo"", relata Janderson Gomes de Souza, o dono de uma pizzaria de Jardim Asteca, em Vila Velha, ao falar pela primeira vez sobre o momento em que levou um tiro de um policial militar, na noite do último sábado (21).
A confusão começou quando uma viatura da PM foi acionada por um morador, que acreditou que estava ocorrendo um assalto na pizzaria. Na verdade, não havia roubo. A porta do estabelecimento estava com defeito e não fechava por completo, ficando uma pequena fresta, o que parecia ser um arrombamento.
Segundo a versão de Janderson, ele fechava a pizzaria, por volta das 23h30, quando resolveu dormir no local, já que teria que fazer massas para um cliente de Aracruz. Por volta da meia-noite, ouviu quando alguém bateu na porta do estabelecimento.

Foi a vizinha quem avisou sobre a presença dos policiais. Segundo o dono da pizzaria, ela começou a gritar que PMs estavam do lado de fora e era para ele abrir a porta. Já atingido pelo tiro, Janderson se arrastou até a porta de aço, passou as chaves do estabelecimento por baixo dela e apontou para o policial onde deveria abrir.O comerciante explica que, quando ouviu o barulho, levantou assustado. "No que bateram na porta, eu levantei assustado achando que era ladrão. No que levantei, escutei um disparo de arma. Aí fui para o banheiro tentar me esconder", conta Janderson.
Após abrir a porta, o policial pegou o comerciante no colo e colocou na viatura. 
",ME MANDOU ENTRAR", DIZ VIZINHA
Raquel Miranda, vizinha da pizzaria, diz que ouviu um barulho muito forte de alguém esmurrando uma porta. Com o susto, ela levantou correndo e foi ao portão para ver o que estava acontecendo. Ela chegou a perguntar a um dos policiais se era ladão, mas ele apenas a mandou entrar.
A vizinha diz, ainda, que pediu calma ao policial e contou que, às vezes, o dono da pizzaria dormia ali por conta da quantidade de entregas.
SEM PISAR NO CHÃO E PREJUÍZO DE R$ 4 MIL 
O pai da vítima, Osvair Souza, diz que um único tiro atingiu os dois pés do filho, quebrou ossos e rompeu tendões. Janderson vai ficar de 4 a 5 meses sem poder pisar, segundo os médicos que o atenderam.
Além disso, há o prejuízo financeiro: a pizzaria foi obrigada a fechar por três dias, o que fez com que os materiais para fabricar as pizzas e tudo o que estava na geladeira ficasse perdido. O prejuízo é de R$ 4 mil.
INQUÉRITO CONCLUÍDO EM ATÉ 40 DIAS 
O corregedor da Polícia Miliar, coronel Reinaldo Brezinski, se posicionou sobre o caso em entrevista ao Bom Dia ES desta quinta-feira (26). Ele disse que um inquérito foi aberto para investigar o caso e deve ser concluído em até 40 dias.
Segundo o coronel, os policiais foram acionados para uma ocorrência de arrombamento e um possível furto em andamento. "A guarnição, ao chegar ao local, se deparou com uma pessoa que já estava no interior do estabelecimento. Foi dada a voz para que ela abrisse a porta e saísse do estabelecimento", explicou.
Segundo consta na ocorrência, houve uma agressão ao policial, por meio de um objeto não identificado, talvez um bastão ou barra, passado pela grade. Segundo os PMs que atenderam a ocorrência, foi dada uma nova ordem para que a porta fosse aberta, já que o policial precisava olhar oque estava acontecendo.
"Nesse momento, houve uma nova agressão e só aí o policial efetuou o disparo. Foi constatado que se tratava do dono do estabelecimento, que foi socorrido e levado para o hospital", disse Brezinski.
Com informação do Bom Dia ES. 

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