quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Grupo que falsificava placas e talões de estacionamento no Rio faturava R$ 200 mil por semana, revela polícia

Talão verdadeiro tem a cor mais forte e faixa de segurança diferente (Foto: Reprodução/TV Globo)
Após quatro meses de investigações, a Polícia Civil desvendou um esquema de fraudes no sistema Rio Rotativo, que regula o estacionamento em áreas públicas do município do Rio. Segundo a polícia, a quadrilha movimenta cerca de R$ 200 mil por semana com o esquema, que envolve falsificação de placas e de talões de estacionamento para vender mais tíquetes, como revelou o RJTV nesta quinta-feira (19), com exclusividade.
Os investigadores já descobriram que a quadrilha fez várias adulterações no sistema. Na Rua Belford Roxo, em Copacabana, Zona Sul do Rio, uma placa supostamente do Rio Rotativo informa que o tíquete de estacionamento vale por duas horas e tem que ser usado das 7h às 23h.
No entanto, a placa é falsificada: segundo a regra oficial, o tíquete deveria valer por 4 horas, e a cobrança deveria ser só até as 19h. Com a fraude, a quadrilha obriga os motoristas a comprar mais tíquetes para manter os carros nas vagas do Rio Rotativo.
Em muitas placas, a palavra tíquete aparece com a grafia em inglês ticket, o que segundo a polícia é um sinal da falsificação. Às vezes, a adulteração é ainda mais grosseira: outra placa teve o número 3 transformado em 9, para ampliar o horário de cobrança pelas vagas aos sábados, das 13h para as 19h. E as placas falsas estão espalhadas por diversas ruas de Copacabana.Dezenas de placas e cartazes falsificados por quadrilha  (Foto: Reprodução/TV Globo)
As investigações levaram os policiais até um depósito em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, onde havia pelo menos 40 placas adulteradas, prontas para serem colocadas nas ruas, e mais de mil talões de estacionamento falsos. Segundo o delegado responsável pelas investigações, Gabriel Ferrando, por trás das fraudes estão dirigentes do Sindicato dos Operadores de Tráfego e Guardadores de Veículos do Brasil (Sindotguave). É essa a sigla que aparece nos uniformes de todos os guardadores encontrados em Copacabana.
O sindicato tem autorização da secretaria de transportes para vender os tiquetes de estacionamento e lucra com isso. A entidade compra cada talão por R$ 20 e repassa aos supervisores por R$ 30; estes, por sua vez, vendem um talão aos guardadores por R$ 40.
"A gente sabe que Copacabana é um grande ponto de estacionamento de veículos e portanto é um local muito visado, muito disputado pela quadrilha", afirma o delegado.
As investigações apontam que o Sindotguave está em situação irregular, já que ainda não tem registro sindical no Ministério do Trabalho. Mesmo assim, conseguiu benefícios junto à Prefeitura do Rio que só são conferidos a organizações regularizadas - como é o caso da venda de bilhetes de estacionamento por um valor abaixo do de mercado.
Para a polícia, o sindicato, na verdade, funciona como uma empresa e age como uma milícia. "A investigação revelou que toda a estrutura [do Sindotguave] estava muito longe de uma entidade sindical que não visa o lucro. Na verdade, o sindicato estava atuando com se fosse uma sociedade empresarial, pagando comissões a operadores, a supervisores, e auferindo lucro principalmente com essa fraude detectada"
Cinco pessoas ligadas ao sindicato foram denunciadas pelo Ministério Público pelos crimes de estelionato, falsificação de documento público, dano ao patrimônio público e organização criminosa. José Renato Brito Ramos, que seria o responsável pelo Sindotguave, e o gerente operacional Eduardo Lacerda Mendonça, tiveram prisão preventiva decretada e estão foragidos.
Na garagem do prédio em Vila Isabel, Zona Norte do Rio, onde mora Mendonça, foram apreendidos pela polícia um Porsche, avaliado em R$ 140 mil, e duas motos importadas. Segundo os investigadores, os veículos foram adquiridos com o dinheiro obtido nas fraudes. Ainda segundo o delegado responsável pelo caso, as investigações continuam, agora para apurar o crime de lavagem de dinheiro, do qual o aumento patrimonial dos envolvidos é indício.Porsche foi encontrado na casa de suspeito de envolvimento com fraude em estacionamento (Foto: Reprodução/TV Globo)
"Nós acreditamos que isso aí é somente a ponta do esquema. As investigações prosseguem agora para apurar lavagem de dinheiro e outros inúmeros delitos praticados pela quadrilha. Essas pessoas explorando os cidadãos de bem, auferindo lucro com essa atividade criminosa, adiquiriam veículo de luxo para si, para utilzação pessoal, mas a polícia atenda a isso, agora vai em cima do patrimônio dessa quadrilha para evitar que esses criminosos tenham vantagem com a atividade ilícita por eles praticados. Essa repressão é muito importante para que o crime não seja vantajoso", disse FerraMoto de luxo na garagem de suspeito de fraudar estacionamentos no Rio (Foto: Reprodução/TV Globo)ndo.

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