Uma gravação em áudio divulgada pela família de Milena Gottardi revela uma conversa entre a médica e os ex-sogros, pais de Hilário Frasson, preso e suspeito de ser um dos mandantes da morte dela. No áudio, Milena diz que o ex-marido teria “rastreado” todas as mensagens via Whatsapp dela. O ex-sogro Esperidião Frasson também está preso, suspeito de ser mandando do crimeassim como o filho.
A conversa é dirigida aos pais de Hilário, e Milena é a pessoa que mais fala, expondo os problemas do relacionamento se mostrando irritada com a situação.
“Uma mulher aguenta isso? É seu filho, mas olha a maldade no coração dele, que me queria a todo o custo. Vocês sabem disso?”, indagou a médica.
Em uma parte do áudio, é possível perceber a presença das filhas de Milena e de Hilário, uma menina de 9 e outra de 2 anos de idade. A mãe pede que elas se afastem e logo em seguida revela que a perseguição do ex se deu até na observação das mensagens da médica.
“Sabe o que ele fez? Ele pegou, colocou no computador, que é o computador meu de trabalho, uma senha e ‘rastreou’ todas as minhas conversas de Whatsapp. Todas as minhas conversas de celular”, relatou.
Ela contou como percebeu a situação. “Eu ia pegar as mensagens e ele já tinha lido. Ele lia tudo. O celular era um instrumento de trabalho. Ali tem mensagem de paciente, que é confidencial. Ele fez isso”, reclamou, em alguns momentos se mostrando indignada.
A médica ainda revelou estar se sentindo perseguida. “Eu andava na rua e achava que estavam me seguindo. Sabe o que que eu fiz para conseguir um advogado? Me disfarcei e tive que entrar no hospital para trocar de roupa porque eu sabia que tinha alguém me vigiando. Se tinha ou se não tinha, eu não sei se é verdade, mas depois do que ele fez com o meu celular...”, explicou, desconfiada. Em outro trecho, Milena Gottardi acrescenta que não estava conseguindo contratar um advogado e que Hilário tinha uma estratégia para evitar que ela conseguisse fazer isso.
“Ele foi passando nos advogados de Vitória e contratando, falando que o senhor [Esperidião] iria pagar para ele, para eu não ter advogado. Vocês acreditam que ele fez isso? Vocês não estão sabendo.”
Segundo a médica, Hilário também se mostrou resistente quando Milena tentava conversar sobre a separação. "Vocês sabem disso, que eu tive que ir no juiz pedir para sair de casa? Para poupar as nossas filhas, as netas de vocês? Porque falou aqui, do lado dessa mesa, que tinha que dar um tiro na cabeça dele, com a filha aqui, ouvindo, gritando", disse. O crime
Milena Gottardi, de 38 anos, foi baleada no último dia 14 de setembro, ao sair do trabalho no Hospital das Clínicas, em Vitória. A morte da médica foi constatada no dia seguinte, depois que ela ficou em coma.
Seis pessoas estão presas, suspeitas de participação no crime:
- Hilário Frasson - ex-marido da vítima e suspeito de ser o mandante do crime;
- Esperidião Frasson - ex-sogro da vítima e suspeito de ser o mandante do crime;
- Dionathas Alves - suspeito de ter atirado na médica no Hospital das Clínicas;
- Valcir da Silva - suspeito de ser intermediador do crime, a pedido dos mandantes;
- Hermenegildo Palauro Filho, o Judinho - suspeito de ser intermediador do crime, a pedido dos mandantes;
- Bruno Rodrigues - suspeito de roubar a moto usada por Dionathas no crime.
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