Uma mulher suspeita de aplicar golpes se passando por consulesa de Portugal foi presa nesta quinta-feira (3) por policiais civis da 44ª DP (Inhaúma). Coordenados pelo delegado Fabio Asty, os agentes prenderam Ana Rosa Esteves Resende. De acordo com informações de policiais, Ana Rosa era considerada foragida da Justiça e cometia os crimes há pelo menos 20 anos.
Ana Rosa, segundo policiais, é portuguesa e foi presa em casa, no bairro da Boiúna, em Jacarepaguá, na Zona Oeste. De acordo com os investigadores, ela se fazia passar como consulesa do Consulado Portugal no Rio de Janeiro
A suspeita oferecia vantagens e facilidades para emissão e regularização de passaportes portugueses, vistos e até mesmo reconhecimento de dupla cidadania. Pelos "serviços", ela cobrava pagamentos de R$ 10 mil a R$ 30 mil. Segundo a polícia, depois dos pagamentos ela sumia.
Em outros casos, Ana Rosa se fazia passar por funcionária de alto escalão da Caixa Econômica Federal, oferecendo financiamentos imobiliários sem que fosse necessária comprovação de renda.
Há ainda casos, de acordo com agentes, em que ela dizia ser capaz de excluir o nome de devedores dos cadastros de proteção ao crédito, tais como SPC e Serasa. Em todos os casos, novamente, Ana Rosa sumia após receber o dinheiro das vítimas. A fato de muitas pessoas terem sido vítimas de Ana levou ao delegado titular da 44ª DP a fazer o seguinte alerta:
"A Polícia Civil orienta os cidadãos a procurarem as repartições públicas para aquisição de documentos e resoluções de suas pendências. Pois os órgãos públicos oficiais só cobram taxas e emolumentos legais. Assim, se evitam fraudes e golpes como os praticados pela senhora Ana Rosa", ressaltou Asty, ao G1.
No total, a polícia afirma que Ana Rosa figura como investigada em mais de 20 procedimentos policiais, somente no estado do Rio de Janeiro. Segundo agentes, foram dezenas de pessoas lesadas ao longo dos anos, um prejuízo incalculável às vítimas. Ana Rosa ainda permanecia na sede da 44ª DP e seria transferida para o Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, nesta sexta-feira (4).
Filha presa em 2011
A filha de Ana Rosa foi presa, em março de 2011, por agentes da 41ª DP (Tanque). Na época, Gisele Resende dos Santos foi detida em flagrante com R$ 3 mil que tinha acabado de receber de um comerciante português, na Taquara, em Jacarepaguá.
O delegado da distrital Pablo Sartori citou a mãe de Gisele, Ana Rosa Esteves Resende, explicando que ela se fazia passar pela chanceler do Consulado de Portugal, Maria José da Piedade Nunes da Silva, para se aproximar das vítimas e oferecer ajuda.
"Elas identificavam os comerciantes portugueses pelo sotaque e, com o bom papo que é típico de golpistas, se identificava como chanceler e oferecia ajuda pra cuidar de pendências em imóveis em Portugal, dizia que poderia ajudar a tirar passaportes, dupla nacionalidade e etc", contou o delegado.
Segundo os investigadores, Ana Rosa Esteves Resende tem seis anotações criminais por estelionato e já aplicou golpes em comerciantes portugueses do Mercadão de Madureira e em diversas regiões da cidade. Os agentes foram até sua residência, em Jacarepaguá, mas não a encontraram.
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