quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Falta de policiamento no Arco Metropolitano facilita roubo de postes que custaram cerca de R$ 96 milhões

Uma rodovia que custou quase R$ 2 bilhões virou uma via expressa para o desperdício no Rio. No trajeto, não há segurança e os postes instalados em série, um do ladinho do outro, estão sendo abatidos para roubar as placas solares caríssimas.
Imagens enviadas por motoristas ao Bom Dia Brasil mostram as pistas às escuras, justamente naquela que deveria ser uma das rodovias mais modernas do Brasil. O Arco Metropolitano tem o maior número de postes de iluminação com placas solares do país: são mais de quatro mil postes espalhados ao longo de 72 quilômetros.
A rodovia, que foi inaugurada em 2014, já deixa nítido os sinais de abandono, vandalismo e da ação de bandidos. A falta de segurança no Arco rodoviário é tão grande que os equipamentos da estrada estão sendo roubados. Os postes estão sendo atacados e a falta de policiamento faz com que os ladrões tenham tempo de desatarraxar os parafusos, derrubar os postes e roubar todos os equipamentos: bateria, placa solar, iluminação.
O Arco Metropolitano cruza a Baixada Fluminense até Itaguaí, na Região Metropolitana do Rio. Para instalar os postes com placas de energia solar, o governo investiu R$ 96,7 milhões. Cada poste custou, em média, R$ 22 mil.
O Departamento de Estradas de Rodagem do Rio diz que, por enquanto, não tem previsão de substituição, já que a manutenção da estrada está suspensa por falta de dinheiro.
O estado negocia o repasse da administração da rodovia ao governo federal. Segundo a Federação de Transporte de Cargas do Rio, o processo caminha lentamente.
“Isso aqui foi um desperdício de dinheiro público porque está subutilizado, poderia, no entorno, ter centenas de condomínios logísticos para serem utilizados pelas transportadoras de cargas. No entanto, pela falta de estrutura, não tem nenhum ponto de apoio, não tem nenhum posto de gasolina, é totalmente abandonado, passou a ser uma rodovia perigosa e ninguém quer utilizar”, afirmou Venâncio Moura, diretor de segurança da federação de Transporte de Cargas do Rio O Arco Metropolitano tem atualmente só a metade do movimento previsto. A falta de luz agrava ainda mais a insegurança da estrada, mas nem durante o dia motoristas escapam dos roubos de cargas.
Em fevereiro, um vigilante foi morto em um assalto. Em maio, dois seguranças que faziam a escolta de uma carga de cigarros foram assassinados. Um carro da secretaria de administração penitenciária também foi atacado.
O Exército já fez blitz na rodovia e agora a Polícia Militar está responsável pelo patrulhamento, mas os caminhoneiros não se sentem seguros para andar por ali.
“Durante o dia você ainda passa correndo o risco. E à noite? À noite, nem pensar”, disse um motorista.

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