quinta-feira, 20 de março de 2014

MORADORES DA TAPERA PROTESTAM E FECHAM A RODOVIA BR-101, EM CAMPOS


Manifestantes colocaram fogo em pneus e engarrafamento já passa de 8km
 Carlos Grevi

Manifestantes colocaram fogo em pneus e engarrafamento já passa de 8km

Moradores da localidade Tapera fecharam mais uma vez a BR-101 na manhã desta quinta-feira (20/03) por conta de uma manifestação. Desta vez o protesto é porque os moradores estão receosos de como ficará a divisão das casas para onde serão transferidos dentro do projeto habitacional popular Morar Feliz, em Campos.
Segundo os manifestantes existem situações onde várias famílias vivem em um mesmo terreno, mas apenas uma estaria sendo cadastrada. Por isso eles não sabem como será feita a avaliação da Secretaria de Família e Assistência.
Além disso, os populares reclamam que têm chegado contas de água com valores altos, de cerca de R$ 4.000,00 sendo que grande parte das casas não possui hidrômetro. Existe dúvidas sobre os critérios usados pela concessionária Águas do Paraíba para chegar aos valores.
Cerca de 200 manifestantes colocaram fogos em pneus e o Corpo de Bombeiros Militar foi acionado para conter as chamas, mas assim como a Polícia Militar deixou o local, onde estava em apoio à PRF, antes do final protesto, que se estendeu por mais de quatro horas.
Segundo a Autopista Fluminense, concessionária que administra a rodovia, por conta do protesto iniciado por volta das 7h, um engarrafamento se estendeu por cerca de 8km, ao longo da pista sentido sul, chegando no Posto da Polícia Rodoviária Federal. Alguns motoristas optaram por fazer o retorno na pista sentido norte, onde o engarrafamento chegou à frente do Shopping Boulevard, e seguir pela Estrada dos Ceramistas.
Equipes da concessionária estiveram no local orientando para que os motoristas utilizassem o desvio no sentido Espírito Santo, que acessa a Estrada dos Ceramistas, no km 75, e retorna à rodovia BR-101/RJ, no km 67. Já no sentido Niterói os motoristas foram orientados a acessar o trevo do Índio, no km 67, e retornar à rodovia BR-101/RJ, no km 75.
A PRF tentou negociar a liberação da pista com os manifestantes, mas os mesmos disseram que a pista seria liberada somente depois da chegada da prefeita no local. Um representante da Secretaria de Família e Assistência esteve no local e levou alguns manifestantes para uma reunião com o secretário, Geraldo Venâncio. A ordem passada pela liderança do movimento aos que ficaram foi de que a pista só fosse liberada após uma resposta positiva. 
A equipe do Site Ururau conversou com alguns caminhoneiros que estão desde a madrugada na estrada. Eles contaram que por conta da manifestação já perderam o prazo de entrega, além da comissão, pois no lugar onde eles fariam a entrega eles iriam carregar o caminhão para a viagem de volta.
Antônio Carlos Merísio saiu de Vitória, no Espírito Santo, por volta das 18h desta quarta-feira (19/03), com destino a Araruama. Lá, além de entregar a carga, ele carregaria novamente o caminhão com material que seria entregue em Vitória, mas por conta da manifestação, o motorista que recebe comissão pela entrega não conseguiu cumprir o prazo estabelecido somando prejuízo para ele e para as empresas envolvidas.
Na última segunda-feira (17/03) os moradores realizaram uma manifestação no mesmo local porque segundo eles, estavam insatisfeitos com a transferência de moradias para o distrito de Ururaí e se recusavam sair do local. Eles estariam com medo de sofrer represálias por parte dos residentes de lá, por conta da rivalidade entre facções. Na ocasião os moradores também se mostraram indignados por conta da taxa de água.
Em relação a taxa de água com alto valor cobrada pela Águas do Paraíba, a concessionária notificou explicando que o valor repassado aos moradores da comunidade da Margem da Linha, em Tapera, refere-se ao tempo de 15 anos, nos quais os moradores não pagaram pelo consumo da água. Em nota a concessionária explica o cálculo e diz que está aberta a negociações.
"Esses moradores há 15 anos, consomem água, desperdiçam abundantemente e nunca pagaram, nem a taxa mínima. Agora estão sendo remanejados para o Morar Feliz pela Prefeitura de Campos. A concessionária está cobrando em média, por residência, pelo consumo nunca pago durante 15 anos (ou seja, 180 Meses) cerca de R$ 2 mil, ou seja, aproximadamente R$ 13,00 (Treze Reais) por mês. E está aberta a qualquer proposta de negociação. Pode receber o que nunca foi pago em tantas prestações quantas forem necessárias ou possíveis para o cliente. Quem apresenta conta de R$ 4 mil, refere-se a dois imóveis, cujo consumo também nunca foi pago, nenhuma parcela, nos últimos 15 anos".
A Prefeitura de Campos disse por meio de nota que está sendo realizada uma reunião entre o Secretário da Família e Assistência Social, Geraldo Venâncio, e um grupo de 11 moradores da comunidade da Margem da Linha, na Tapera.
Já a prefeitura de Campos esclarece que o Programa Morar Feliz segue critérios socioeconômicos e que visa atender famílias que não têm condições de adquirir seu imóvel próprio, vivendo em situação de risco e vulnerabilidade.
"A Prefeitura de Campos desenvolve o programa habitacional Morar Feliz para beneficiar moradores de áreas de risco, assegurando moradias a famílias social e economicamente vulneráveis, que não têm condições financeiras de adquirir uma casa própria. O programa segue critérios socioeconômicos.
A prefeitura está construindo mais de mil casas no Conjunto Habitacional de Ururaí para beneficiar famílias próximas que, ainda, vivem em situação de risco. O distrito possui escolas, creches e uma Unidade Pré-Hospitalar, que passará por ampla reforma, e fica ao lado da Tapera, onde a prefeitura também está realizando investimentos.
- Acho estranha a manifestação porque trata-se de um programa que já beneficiou 5.426 famílias de áreas de risco ou em situação de vulnerabilidade social e está com a segunda etapa em construção e que vai beneficiar mais de quatro mil famílias, totalizando 10 mil – afirma o secretário da Família e Assistência Social, Geraldo Venâncio.
O Secretário da Família e Assistência Social, Geraldo Venâncio, está reunido, neste momento, em seu gabinete, com um grupo de 11 moradores da comunidade da Margem da Linha, na Tapera. São pessoas que estavam na manifestação que fechou a BR-101, na manhã desta quinta-feira (20). Técnicos da secretaria, que estavam no local da manifestação, conseguiram convencer o grupo a comparecerem na  Família e Assistência Social e apresentarem suas reivindicações ao secretário. Até o momento, estes moradores ainda não haviam procurado a secretaria para fazer qualquer reivindicação".
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Fonte: URURAU

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