quarta-feira, 23 de março de 2016

Autor de canção ouvida em áudio da Lava Jato quer apuração 'para todos'


Cristina BoeckelDo G1 Rio
Uma de suas apresentações no Teatro AM foi na companhia da 'pimentinha' Elis Regina, parceira de longa data (Foto: Sérgio Rodrigues/G1 AM)Roberto Menescal, autor de 'Ah, se eu pudesse' (Foto: Sérgio Rodrigues/G1 AM)
Roberto Menescal tomou um susto na quarta-feira (16), quando foi divulgada a gravação da conversa entre a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula, após o juiz Sérgio Moroquebrar o sigilo da 24ª fase da Operação Lava Jato. Um dos grandes nomes da bossa nova ouviu uma versão instrumental de “Ah, se eu pudesse”, composição sua com Ronaldo Bôscoli (1928-1994), enquanto uma ligação de Lula é transferida para Dilma (ouça no áudio abaixo, a partir de 1 minuto e 23 segundos).
“Eu até pensei que fosse sacanagem de alguém que tivesse colocado a música e me mandado. Mas depois eu pesquisei e vi que não, que realmente estava na mensagem”, diz Menescal ao G1, por telefone.
A música foi composta há 55 anos, no começo dos anos 60 (veja Menescal cantando no vídeo abaixo, gravado no programa "Almanaque", da GloboNews). A popularidade recente surpreendeu o artista.
“É impressionante como essas coisas mexem com as pessoas. Eu fiquei bem curioso para saber como a música foi parar lá", conta.
Quero que as investigações cheguem até o fim. Não digo somente em relação à Dilma e ao Lula, mas em relação a todos os políticos. Porque esta é uma chance de o Brasil mudar. É uma oportunidade de ouro"
Roberto Menescal
Após a divulgação da gravação, a página do compositor no Facebook recebeu mais de dois mil comentários em dois dias. Ele diz que aprecia a mobilização popular sobre a Lava Jato e espera que tudo seja esclarecido.
“Eu quero que as investigações cheguem até o fim. Não digo somente em relação à Dilma e ao Lula, mas em relação a todos os políticos. Porque esta é uma chance de o Brasil mudar. É uma oportunidade de ouro. Sou a favor de que a investigação continue e que se revele o que acontece."
Sobre a polêmcia sobre os grampos telefônicos, Menescal usa o bom humor para opinar.
"É hora de saber a verdade, o que há de errado e de bom (...) Mesmo que eu apareça em alguma gravação, não tem problema”, brinca.
Aos 78 anos, Menescal está na ativa desde o fim dos anos 50. Com centenas de composições, tem pelo menos 430 canções gravadas, com 30 LPs e CDs e 10 DVDs lançados.
Nascido em Vitória, no Espírito Santo, o músico vive no Rio de Janeiro desde os 3 anos. Já trabalhou como músico, produtor e arranjador, além de orquestrar álbuns de diversos artistas como Maysa, Silvinha Telles, Lúcio Alves, Caetano Veloso, João Bosco, Alcione, Elis Regina, Leila Pinheiro, Emílio Santiago, Nara Leão, Joana, Ivan Lins e Oswaldo Montenego, entre outros.
Também levou a música brasileira para apresentações em diversos países como Austrália, Rússia, França, Inglaterra, Japão, Argentina e Alemanha.

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