Thiago Macedo / Carlos Grevi
Desperdício seria de 20 mil litros de água por hora e segundo o Inea, a obra é legal
Campos vive hoje um período severo de estiagem e o Rio Paraíba do Sul, a pior seca de toda sua história, desde 1922. E em meio a essa crise hídrica, onde algumas cidades já estão tendo de fazer racionamento de água, moradores da Rua Doutor Pereira Nunes, no Centro do município, estão indignados com um vazamento que já dura um mês. O desperdício, de 20 mil litros de água por hora, seria proveniente de uma perfuração de subsolo para construção de um prédio no local.
O projeto é da empresa RMZ Engenharia e da InterRio Incorporadora e as intervenções começaram há quatro meses. Segundo o encarregado da obra, que não quis se identificar, a informação está equivocada, haja vista que não há desperdício de água, pois a mesma seria oriunda de rebaixamento do lençol freático, que consiste na retirada da água do subsolo de forma induzida, não gravitacional, através de poços, introduzindo alterações nas condições naturais do subsolo.
“Foi realizado uma fundição de rebaixamento do subsolo e as pessoas estão falando que estamos desperdiçando água, mas acontece que essa água não é da rua e depois ela vai voltar para o lençol freático. A Emec Obras e Serviços Ltda, (empresa terceirizada que trabalha na manutenção de praças e jardins de Campos) também já está captando essa água para reutiliza-la na cidade”, ressaltou o encarregado informando que no local será construído um prédio de 20 andares.
Morador de uma casa em frente à obra, um idoso de 68 anos que preferiu não se identificar, disse que desde o início do vazamento teria ido ao Instituto Estadual do Ambiente (Inea) para denunciar a empreiteira.
“Eu vejo como desperdício sim e por isso fui denunciar. A água pode até ser do lençol freático, mas daqui a quantos anos ele levará para se recuperar? Essa água poderia estar sendo reaproveitada para o gado, que estão morrendo por conta da seca, mas ninguém faz nada. A minha preocupação é com a erosão do solo e na reposição desse lençol”, questionou o aposentado.
Segundo o superintendente do Inea, René Justen, toda obra de construção civil consiste na escavação para fazer aproveitamento da parte de subsolo, só que no caso da obra na Rua Doutor Pereira Nunes, essa água acumulou.
“Eles terão de fazer a drenagem dessa água e bombear até o fechamento da obra e não desperdício, pois a água vai direto para a galeria fluvial que vai contribuir para abastecer o Canal Campos/Macaé e também a Lagoa Feia”, informou René.
GUANDU TERÁ VOLUME DE ÁGUA REDUZIDO
GUANDU TERÁ VOLUME DE ÁGUA REDUZIDO
O diretor do Comitê do Baixo Paraíba Sul, João Gomes de Siqueira, informou que o grupo irá reduzir o volume de água repassado do Rio Paraíba do Sul para o Guandu, via represa de Santa Cecília, em Barra do Piraí, a fim de preservar os níveis dos reservatórios.
O grupo encaminhará o ofício a Agência Nacional das Águas (ANA), que autorizará ou não a decisão.
O grupo encaminhará o ofício a Agência Nacional das Águas (ANA), que autorizará ou não a decisão.
O grupo decidiu também que serão necessárias intervenções em sete cidades onde se capta água diretamente no rio, entre elas, São João da Barra. “Reduzindo a vazão, a água vai diminuir. Essas intervenções precisam ser feitas o mais rápido possível, até março. Como não choveu em dezembro e janeiro, a tendência é piorar. É uma prevenção”, avaliou o diretor do Comitê.
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