sábado, 4 de maio de 2013

ESTIAGEM ADIA A MOAGEM NAS USINAS DA REGIÃO


Moagem da cana de açúcar é adiada para junho devido a longa estiagem

Matéria prima ficou prejudicada e não amadureceu a tempo para produção
 Mauro de Souza/Carlos Grevi

Matéria prima ficou prejudicada e não amadureceu a tempo para produção

A moagem da safra da cana de açúcar, que estava previsto para ter início neste mês de maio, foi adiada para junho, segundo informou o presidente da Cooperativa Agroindustrial do Estado do Rio de Janeiro (Coagro), Frederico Paes. De acordo com ele, essa medida foi necessária por conta de um longo processo de estiagem (seca) que a região viveu nos últimos três anos, e que, prejudicou toda matéria prima (cana) local.
Frederico contou que mesmo apesar das fortes chuvas que caíram nos últimos meses, não foram suficientes para amenizar os prejuízos da seca. “A gente já estava prevendo uma queda da safra por conta dessa estiagem. Por isso resolvemos adiar, pois faltou matéria prima para moer”, reforçou o presidente acrescentando:
“Esse é um problema complexo que envolve todas as usinas, produtores e a própria mão de obra (trabalhadores), pois sem cana não tem como empregar. Em Campos, há aproximadamente 9 mil pessoas que trabalham nas cooperativas moendo cana, com esse atraso, a gente deixa de estar gerando emprego por um mês”, lamentou.
De acordo com Frederico, a cooperativa vem buscando recursos fora para tentar gerar matéria prima para a região. A falta de chuva também fez com que os preços da cana diminuíssem, e isso acabou desestimulando os produtores, que necessitam de um financiamento para poder plantar, e com isso, gerar emprego. “A gente precisa de recursos. Sem isso não tem cana, não tem açúcar e não tem serviço para os trabalhadores”, frisou o presidente adiantando que a princípio, está previsto as moagens nas Usinas Canabrava, Coagro e Paraíso para 20 de maio, 1º de junho e 10 de junho, respectivamente.
COLHEITA MECANIZADA AINDA É DESAFIO NA REGIÃOTrabalhando com 11 máquinas colhendo cana, sendo quatro pequenas e sete de grande porte, o presidente da Coagro disse que apesar da aquisição desses equipamentos terem sido muito válido, principalmente por ter aumentado a produção da cana sem haver a necessidade da queima da mesma, é necessário uma série de questões para que as áreas da região se adaptem a esses veículos.
“A gente começou com quatro máquinas pequenas e depois avançamos com sete grandes. O problema é que, esses veículos (grandes) não são adaptados para nossa região. Essas máquinas foram desenvolvidas para trabalhar em grandes propriedades. Não é fácil manusear esses veículos. É por isso que nós temos de nos adequar a eles e estarmos sempre capacitando nosso pessoal (cananeiro, operador de trator, entre outros profissionais), para que possamos trabalhar com eles”, ressaltou Frederico explicando que para melhor usufruir desses equipamentos é necessário evitar ter cerca entre uma propriedade a outra; manter a distância correta entre a linha da cana (o ideal para trabalhar seria de no mínimo 300 a 500 metros), entre outras medidas.
ESTIAGEM TROUXE PREJUÍZOS PARA A REGIÃOPara o presidente da Asflucan (Associação Fluminense dos Plantadores de Cana), Eduardo Crespo, a estiagem trouxe inúmeros prejuízos para a região, e com isso, as canas não amadureceram suficientemente a tempo da moagem. Por conta dessa situação, os usineiros não tiveram outra solução a não ser adiar o processo de produção.
“Foi um ajuste de calendário da colheita com a maturação da cana por conta das chuvas que chegaram atrasadas. Sobre o aspecto da colheita, acredito que não teremos prejuízos. Agora sobre a perda, estamos em situação desfavorável, principalmente porque o setor canavieiro no Estado do Rio de Janeiro luta em Brasília pela continuidade ao Programa de Subvenção da Atividade Canavieira, sancionado pela presidente Dilma Rousseff através do Projeto de Lei de Convenção (PLV) 11/2012”, mencionou Eduardo. 
Por meio de emenda, a atual subvenção é de R$ 10 por tonelada e limitada a até 10 mil toneladas por produtor independente. Nos últimos três anos, foram concedidos R$ 5 por tonelada de cana. De acordo com o ministério, a renovação da subvenção com os novos níveis beneficiará 92% da produção nordestina, composta por pequenos e médios produtores e que representa 90 mil postos de trabalho.
“Estamos reivindicando junto ao deputado federal Anthony Garotinho, solicitando a subvenção da cana no valor de R$ 10,00 para o Estado do Rio também, e não só para o Nordeste”, disse o presidente da Asflucan.
O estado do Rio é o terceiro maior em número de produtores de cana e o maior em concentração de pequenos produtores.

KELLY MARIA

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