segunda-feira, 17 de junho de 2013

JOVEM MORRE APÓS SER AGREDIDO A PAULADAS E PEDRADAS EM CAMPOS

Vítima era usuária de droga e mãe acredita ter sido esse o motivo do crime
 Carlos Grevi

Vítima era usuária de droga e mãe acredita ter sido esse o motivo do crime

Wemerson Diego Cautinho Nunes, de 20 anos, morreu na noite deste sábado (15/06) no Hospital Ferreira Machado (HFM), em Campos. O jovem, que segundo a mãe Ana Maria Coutinho, era usuário de drogas, foi agredido a pauladas e pedradas na tarde do mesmo dia nas proximidades do Campo do União, na Avenida José Carlos Pereira Pinto, no distrito de Guarus. 
Durante liberação do corpo do jovem para sepultamento no Posto Regional de Polícia Técnica e Científica (PRPTC), a mãe, que estava desolada, revelou a equipe do Site Ururau, a luta vivida nos últimos três meses na tentativa de internar o jovem para tratamento químico, que estava previsto para acontecer nesta segunda-feira (17/06) com tratamento no Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps-AD). 
“Meu filho era maravilho, mas não conseguia deixar as drogas. Ele era dependente. Lutei muito pela internação dele, inclusive precisei recorrer ao Estado. O juiz já tinha assinado a papelada, mas não deu tempo de salvar meu filho. Demorou muito, demorou muito!”, lamentou a autônoma Ana Maria.
Ela contou ainda que o jovem começou a usar drogas após a morte do irmão, o taxista Washington Souza Coutinho, crime este descoberto em 12 de dezembro de 2008. ‘Ele tinha boca e não falava, não saia de casa. Mas a morte do irmão o deixou muito revoltado e acabou se entregando às drogas. Bateram tanto no meu filho que ele teve traumatismo craniano. Isso não pode tá acontecendo outra vez, a morte do meu outro filho até hoje não foi solucionada. Onde estão as autoridades, as pessoas estão aí morrendo e nada é feito”, disse.
Moradora do bairro Santa Helena, Ana Maria acredita que o vício tenha levado à morte do filho. “Onde moramos o tráfico é controlado pela facção ADA (Amigos dos Amigos) e onde ele morreu é a rival (Terceiro Comando Puro) e deve ter sido isso. Como ele foi pra lá, era muito medroso”, revelou aos prantos.
O espancamento de Wemerson teria acontecido por volta das 15h, mas a mãe só ficou sabendo pouco depois das 19h quando chegou a casa. Ela não encontrou o filho, que tinha saído logo após o almoço, e foi a sua procura. 
“Um rapaz chegou pra mim e me perguntou se tava procurando por ele. Disse que sim e aí ele me falou que tinham espancado um rapaz lá próximo ao União, que pelas características e a tatuagem do braço era ele, mas que não sabia que tinha morrido. Fui até o local e descobri que era meu Wemerson e que estava no hospital. Quando cheguei lá já tava morto”, contou. 
Wemerson era casado e deixou um filho de um ano de idade. A morte do jovem será investigada pela 146ª Delegacia de Polícia, em Guarus, mas até o momento a Polícia Civil não tem nenhuma informação sobre a autoria do crime.
DRAMAAna Maria conta que desde que o filho passou a ser usuário de drogas sempre fez de tudo para ajudá-lo a deixar o vício, buscando sua internação, mas como não conseguiu recorreu a Justiça. “Meu filho era dependente, mas não devia droga. Ele não saia de casa, deve ter sido levado até aquele local. Deus sabe o quando eu lutei nesses últimos anos tentando salvar meu filho”, disse.
OUTRA PERDAA dor de perder um filho se repete pela segunda vez na vida de Ana Maria. O primeiro foi Washington Souza Coutinho. Ele desapareceu no dia 9 de dezembro de 2008 e só foi encontrado sem vida quatro dias depois num canavial às margens da BR-356 (Campos-Itaperuna), altura da localidade de Sapucaia. 

VALQUÍRIA AZEVEDO

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