Carlos Grevi / Arquivo / Reprodução
Governador deixa cargo do segundo mandato e deve se candidatar ao senado
Depois de sete anos e três meses Sérgio Cabral não é mais governador do Rio de Janeiro. Ele renunciou na tarde desta quinta-feira (04/04) e Pezão, que é pré-candidato ao governo do Estado, assume o cargo em que estará interinamente até a posse oficial, marcada para as 9h, no Palácio das Laranjeiras, que receberá diversas autoridades para o ato. A decisão política tem como principal proposta a de colocar em evidência seu vice Pezão.
Cabral renunciou ao cargo de governador na tarde desta quinta-feira (03/04), por volta das 16h30, quando o presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Paulo Melo, leu a carta de renúncia enviada por Cabral, que tinha poucas linhas.
Na carta, Cabral citou artigo da Constituição Federal que diz que chefes do Executivo têm que deixar o cargo caso queiram se candidatar nas eleições. Cabral deve concorrer a uma vaga no Senado.
Popularidade em queda
Cabral foi eleito governador em 2006 e reeleito em 2010. Nos últimos meses, a popularidade dele estava caindo. Segundo pesquisa do Datafolha realizada em de novembro de 2013, a taxa de aprovação do governador caiu 35% em três anos, passando de 55% para 20% entre novembro de 2010 a novembro de 2013.
Em novembro de 2013, 38% dos ouvidos pela pesquisa avaliaram a gestão de Cabral como ruim ou péssima, 38% disseram que ela era regular e 20% responderam que era ótima ou boa. O percentual dos que não souberam avaliar ficou em 3%.
Os percentuais para "ótimo e bom" e "ruim ou péssima" foram recordes desde março de 2007 (quando o governador estava no terceiro mês de seu segundo mandato).
Entre as realizações de Cabral, a que mais ganhou apoio da população foi a política de pacificação das comunidades. A primeira favela a ganhar uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) foi a de Santa Marta, na zona sul, em dezembro de 2008. De lá para cá foram instaladas outras 36 unidades, abrangendo 257 territórios, com 1,5 milhão de moradores.
MANDATO MARCADO POR ACORDOS E QUEDA VERTIGINOSAA Folha de São Paulo publicou matéria nesta quinta-feira relembrando os caminhos políticos adotados pelo governador assim que assumiu o cargo, em 2006. Eleito com o apoio dos ex-governadores Anthony e Rosinha Garotinho, ele rompeu com o casal antes mesmo da posse, forçando a ida de Garotinho para um novo partido, tendo escolhido o PR.
O BNDES também abriu os cofres para financiar obras de infraestrutura. Só a expansão do metrô até a Barra da Tijuca recebeu R$ 4,3 bilhões.
Cabral inaugurou, no fim de 2008, a primeira UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), que permitiu retomar favelas comandadas pelo tráfico.
Em 2010, o peemedebista foi reeleito com desempenho recorde: dois terços dos votos no primeiro turno e apoio de 91 dos 92 prefeitos do Estado. A exceção era no município de Campos, último reduto do clã Garotinho.
A vitória marcou o auge da popularidade e o início do declínio de Cabral. Seis meses depois, o governador seria atingido pela revelação de amizades muito próximas com empresários que recebiam verbas e incentivos de seu governo.
As primeiras suspeitas vieram à tona na queda de um helicóptero na Bahia, que matou sete pessoas em junho de 2011. Cabral havia voado para Porto Seguro em um jato do empresário Eike Batista para festejar o aniversário de Fernando Cavendish, dono da construtora Delta.
"Isso trincou a vidraça do governador. O PMDB enterrou as investigações sobre a Delta em Brasília, mas a imagem de Cabral foi comprometida", diz o cientista político Ricardo Ismael, da PUC-Rio.
Em 2013, a má fase se agravou com suspeitas de uso indevido de helicópteros do Estado e com a morte do pedreiro Amarildo de Souza, que teria sido torturado na UPP da Rocinha. Nas manifestações de junho do ano passo, Cabral se tornou o principal alvo da ira popular.
Em baixa, viu a aprovação do seu governo cair de 55% para 20%, segundo o Datafolha. Depois de sonhar com a Vice-Presidência da República, Cabral perdeu o apoio do PT e deixa o cargo sem saber se terá força para tentar uma vaga no Senado.
O deputado federal e pré-candidato ao governo do estado, Anthony Garotinho (PR) fez algumas colocações ao longo dos últimos meses a respeito da saída de Sérgio Cabral, seu maior adversário político na atualidade, e nesta quinta-feira não foi diferente. Garotinho destacou que o governador deixa o Palácio pela porta dos fundos e 'já vai tarde' sem deixar saudades.
A ERA CABRAL (2007-2014)
19.dez.2008
1ª UPP é inaugurada; até deixar o cargo, Cabral inauguraria 37 das 40 UPPs prometidas
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2.out.2009
Rio é escolhido como sede da Olimpíada de 2016
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3.out.2010
Cabral é reeleito
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28.nov.2010
Ocupação do Complexo do Alemão para a instalação de quatro UPPs. Aprovação de Cabral vai a 55%, segundo o Datafolha
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18.jun.2011
Cabral usa jato do empresário Eike Batista para ir a festa do empreiteiro Fernando Cavendish na Bahia
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27.abr.2012
Anthony Garotinho (PR) divulga fotos de Cabral e Cavendish em Paris. Nas imagens, o empreiteiro e secretários do governo fluminense dançam com guardanapos na cabeça
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Protesto no Rio reúne milhares de pessoas e termina em confrontos. Cabral é alvo preferencial dos manifestantes
14.jul.2013
O pedreiro Amarildo de Souza é detido na UPP da Rocinha e desaparece. O grito "Cadê o Amarildo?" ganha as ruas
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2.dez.2013
Cabral atinge a pior avaliação em sete anos. Sua aprovação cai a 20%, mostra o Datafolha
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3.abr.2014
Cabral renuncia e o vice-governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) assume o cargo e deve ser o candidato a governador
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