domingo, 5 de junho de 2016

Suspeito de aplicar golpe do bilhete premiado em idosas é preso no ES


Elis CarvalhoDe A Gazeta
Carlos Vedno Nascimento Marchiori foi preso, acusado de estelionato (Foto: Fernando Madeira/ A Gazeta)Carlos Vedno Nascimento Marchiori foi preso, acusado de estelionato (Foto: Fernando Madeira/ A Gazeta)
Um auxiliar de farmácia, de 53 anos, foi preso suspeito de aplicar o golpe do bilhete premiado em idosas, na região Norte do Espírito Santo. Um trabalhador rural de 58 anos está sendo procurado pelo mesmo crime.

Doze vítimas já foram à polícia, mas o número de idosas enganadas pode ser ainda maior. Com as ações, os criminosos arrecadaram cerca de R$ 100 mil.

De acordo com o delegado Leandro Sperandio, da Delegacia Patrimonial de Aracruz, quem abordava as vítimas era o trabalhador rural Luiz Carlos Rosindo,  de 58 anos, recebendo o apoio do auxiliar técnico de farmácia Carlos Edno Nascimento Marchiori, de  53 anos. Ele se passava por médico para dar credibilidade à ação.
"Eles iam a bairros de Aracruz e o Luiz Carlos escolhia a vítima, que deveria ser mulher e mais velha. Ele dizia que havia ganhado um bilhete premiado, mas que não sabia exatamente como pegar o dinheiro. De início, as vítimas não davam muita ideia para ele, mas logo depois chegava o Carlos Edno, bem arrumado, dizendo ser médico e oferecendo ajuda”, explicou o delegado.

Carlos fingia ligar para a Caixa Econômica Federal e, como se estivesse falando com uma atendente, ia confirmando os números do bilhete. Ele dizia ainda que a orientação era que ele precisava de R$ 30 mil para receber R$ 2 milhões. Edno afirmava que não tinha aquele dinheiro, e era nesse momento que Carlos falava que poderia ir ao banco pegar um empréstimo.

“Ele pedia para a vítima ficar com o trabalhador rural enquanto ele ia sacar o dinheiro. Enquanto isso, ia ao carro dele e pegava uma mala com notas verdadeiras por cima e papéis em branco por baixo. Ele dizia que havia conseguido sacar apenas R$ 10 mil. Então, os dois faziam a oferta à vítima: que ela sacasse o restante”, detalhou o delegado.

Os golpistas diziam que caso a vítima colaborasse, ela ganharia R$ 50 mil pela ajuda. Eles levavam a idosa até a agência dela e orientavam que ela falasse ao gerente que precisava do dinheiro urgentemente para uma cirurgia de um familiar ou para o tratamento de doença. Os criminosos ficavam do lado de fora da agência para evitar que fossem filmados.

Quando a vítima saía com o dinheiro, eles pegavam a quantia e fingiam que Luiz estava passando mal. O falso médico pedia para a idosa aguardar, enquanto ele iria socorrer o trabalhador rural. Depois, a dupla fugia.

Investigação
A Delegacia Patrimonial de Aracruz estava investigando o golpe desde janeiro de 2015, quando recebeu a primeira denúncia. No mesmo mês,  Luiz Carlos Rosindo e Carlos Edno Nascimento Marchiori foram identificados. Porém, a experiência dos dois dificultou a prisão.

De acordo com o delegado Leandro Sperandio, que conduziu a investigação, a polícia identificou que os criminosos agiam com um carro modelo Civic preto.

“Eles eram espertos e não se deixavam ser filmados por câmeras de segurança. Isso dificultou a identificação física. Mas como tínhamos as características do carro, as investigações apontaram que eles estavam na manhã da última sexta-feira na porta de uma agência bancária de Aracruz”, contou.

Perseguição
Os policiais foram ao local e, ao verem os criminosos dentro do carro, se aproximaram. Um policial deu voz de prisão. Foi quando Carlos acelerou com o veículo, quase atropelando o profissional. Nesse momento, o policial atirou contra o carro, na direção do pneu. Ele acertou um dos pneus e um vidro na lateral. Ninguém ficou ferido.

De dentro da agência, a 12ª vítima identificada até agora percebeu a ação e desistiu do saque a tempo. Os policiais perseguiram os suspeitos, que entraram com o carro em uma plantação de eucalipto da região. Pensando que tinham conseguido escapar, eles ainda pararam com o veículo para trocar o pneu.

“Nesse momento eles foram abordados pelos policiais e saíram correndo pela mata. A busca, que contou com um helicóptero da polícia, durou 5 horas. Por volta das 16 horas, Carlos Edno foi encontrado. Mas o Luiz Carlos conseguiu fugir. Pedimos que, quem tenha qualquer informação sobre o paradeiro dele, entre em contato pelo Disque-Denúncia (181). O sigilo é garantido”, disse o delegado.

Ainda segundo o delegado, Carlos Edno vai responder por 12 estelionatos, com agravante pelas vítimas serem idosas, além de resistência e desobediência. Como cada crime de estelionato tem pena máxima de 5 anos, somando os 12, Carlos pode pegar até 60 anos de prisão.

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