sexta-feira, 10 de junho de 2016

Polícia investiga quantas pessoas levaram menina para 'abatedouro'


Nicolas SatrianoDo G1 Rio
Polícia vistoria casa onde vítima de estupro esteve na Zona Oeste do Rio (Foto: Divulgação)Polícia vistoria casa onde vítima de estupro esteve na Zona Oeste do Rio (Foto: Divulgação)
A delegada titular da Delegacia da Criança e Adolescente Vítima, Cristiana Bento, quer saber como a adolescente vítima de estupro coletivo no último dia 21 foi levada de uma casa no Morro da Barão, na Zona Oeste do Rio, para o local conhecido como "abatedouro, que também fica na comunidade.

Nesta quinta-feira (9), agentes da delegacia especializada refizeram o trajeto da adolescente e conseguiram localizar a casa onde, de acordo com as investigações, a adolescente passou a noite na companhia de outros três jovens, depois de sair de um baile funk na favela. No dia seguinte, a vítima relatou ter acordado em outra casa, que fica a aproximadamente 90 metros do primeiro local.
A avaliação preliminar dos investigadores indica que teria sidio necessário mais de uma pessoa para levar a vítima da primeira casa para o local conhecido como"abatedouro", que fica mais acima na comunidade. Para agentes da delegacia especializada, a princípio, não seria possível uma pessoa carregar a adolescente morro acima, já que o caminho é bastante sinuoso e íngrime.
"Refizemos o percurso [da primeira casa ao abatedouro]. São aproximadamente 90 metros", afirmou a delegada. Cristiana Bento também afirmou que nada foi apreendido na casa que ligasse os suspeitos identificados ao crime.
O baile onde a adolescente esteve com a amiga, além de Raí de Souza, atualmente preso no Complexo de Gericinó, e o jogador Lucas Perdomo, ocorreu cerca de 20 metros da primeira casa para onde a vítima foi. O local é conhecido como Assembleia, porque fica ao lado de uma igreja evangélica.
O jogador Lucas Perdomo teria sido chamado para acompanhar a delegada na perícia, mas disse se sentir inseguro de subir a comunidade.
Polícia faz reconstituição do caso de estupro no Rio (Foto: Divulgação)Polícia faz reconstituição do caso de estupro no Rio (Foto: Divulgação)

Polícia faz reconstituição do caso de estupro no Rio (Foto: Divulgação)Polícia faz reconstituição do caso de estupro no Rio (Foto: Divulgação)


Vítima será ouvida novamente
A delegada da Delegacia Da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV), Cristiana Bento, responsável pelo caso, disse que irá ouvir a adolescente novamente, mas ainda não há confirmação da data para o novo depoimento. Ela será ouvida por videoconferência, já que está sob o programa de proteção do estado. A informação foi confirmada pela delegada Cristiana Bento, da Dcav. Ela quer esclarecer com a vítima novos fatos que apareceram durante as investigações.
Ameaçada por pessoas ligadas ao tráfico de drogas na região onde aconteceu o estupro coletivo e até por pessoas de fora do estado do Rio, a menor entrou no Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes ameaçados de Morte (PPCAM), executado pela Secretaria de Direitos Humanos do Estado do RJ. A adolescente já saiu de casa e está em um local que não foi divulgado. A Secretaria de Direitos Humanos do Rio não descartava a mudança dela para outro estado e até uma eventual mudança de nome.
Inocência de jogador não está definida
Nesta quarta-feira (8), a delegada afirmou que a inocência de Lucas Perdomo, não está completamente definida. Em seu segundo depoimento sobre o caso do estupro coletivo de uma menor de 16 anos em uma comunidade na Zona Oeste do Rio, Lucas teria dito que não sabia da existência de um segundo vídeo de estupro que foi encontrado no celular de Raí de Souza, que está preso sob suspeita do crime.
"Totalmente não", disse a delegada sobre descartar a participação de Lucas no crime.
Cristiana Bento acrescentando ainda que a Polícia Civil deve fazer mais diligências na primeira casa utilizada para as sessões de sexo entre Raí de Souza, Lucas Perdomo, a vítima e uma outra jovem.
Lucas Perdomo deixa a delegacia após novos esclarecimentos (Foto: Fernanda Rouvenat/G1)Lucas Perdomo deixa a delegacia após novos
esclarecimentos (Foto: Fernanda Rouvenat/G1)
Novo depoimento
O jogador de futebol Lucas Perdomo chegou por volta das 10h50, desta quarta-feira (8), na DCAV, para prestar um novo depoimento. Segundo a advogada do jogador de futebol, Renata Barcellos, são novos esclarecimentos para um complemento das investigações, já que, a cada hora, surgem novos indícios na investigação.
Após quase uma hora e meia na DCAV, o jogador saiu por volta das 12h30 sem falar com os jornalistas. Silvio Cesar Duarte, pai do jogador, disse que eles receberam uma ligação pedindo para que o rapaz comparecesse na delegacia nesta manhã, mas não sabe exatamente para que. "A pessoa que não deve nada tem que estar tranquila sempre", afirmou o pai do rapaz ao chegar na delegacia na manhã desta quarta.
Quarto tinha uma cama com televisão (Foto: Divulgação/ Polícia Civil)Quarto tinha uma cama com televisão
(Foto: Divulgação/ Polícia Civil)
Lucas chegou a ser preso e levado para o presídio de Bangu na semana passada, mas foi liberado na sexta (3) por falta de provas de que ele tivesse participado do estupro coletivo da menina. O resultado da perícia feita no celular de Raí de Souza, um dos presos acusados de cometer um estupro coletivo, revelou que havia quatro homens na cena do crime — e não três, como suspeitava a Polícia Civil do Rio. O laudo aponta para quatro vozes masculinas no local.
A perícia foi realizada no vídeo que foi divulgado em redes sociais, o primeiro. Depois, novas imagens foram descobertas e confirmaram que a adolescente foi violentada, exibido em primeira mão pelo Fantástico. Ainda de acordo com o laudo, o aparelho celular passou na mão de duas pessoas que estavam na cena do crime.
Segundo a polícia, a suspeita é de que estivessem no local: Raí de Souza (já preso), Raphael Duarte Bello (já preso) e Jefinho (foragido). O quarto homem pode ser o traficante Moisés Lucena, conhecido como Canário, já que ele foi reconhecido pela jovem.
Adolescente de 16 anos deixa o hospital Souza Aguiar com a mãe após estupro coletivo no Rio (Foto: Gabriel de Paixa/Agência O Globo)Adolescente de 16 anos deixa o hospital Souza
Aguiar com a mãe após estupro coletivo no Rio
(Foto: Gabriel de Paixa/Agência O Globo)
Atualmente preso no Complexo Penitenciário de Gericinó, na Zona Oeste, Raí disse inicialmente para a polícia que tinha destruído seu celular onde foi gravado o vídeo da menor estuprada nua, sendo tocada por um homem, com vozes de outros suspeitos ao fundo. Com a recuperação do aparelho, na sexta-feira (3), os agentes descobriram um segundo vídeo do estupro coletivo, durante o qual a menor tenta inclusive resistir às agressões.
Os investigadores chegaram ao aparelho ao descobrirem que um dos amigos de Raí tinha uma foto com o jogador de futebol Lucas Perdomo, solto na sexta-feira por falta de provas, e Raí, com as mesmas roupas com as quais ambos foram presos no último dia 30 de maio.
No áudio do vídeo, Raí e Raphael insinuam que mais de 30 homens participaram do crime. A polícia acredita que este número possa não ser real. Os 30 seriam uma referência a um funk famoso na região, de MC Smith.
Suspeitos presos
Raí e Raphael estão presos no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu. Ao todo, cinco suspeitos estão foragidos. “Eles vão responder pelos dois crimes. Pelo estupro e pela produção e divulgação de imagem de criança e adolescente. Que seja uma pena exemplar para mostrar para a comunidade que existe lei e que a lei quem faz é o Estado”, contou Cristiana Bento.
Raphael Assis Duarte Belo, de 41 anos, é suspeito de participar de estupro coletivo no Rio (Foto: Divulgação/Polícia Civil)Raphael Assis Duarte Belo, de 41 anos, é suspeito de participar de estupro coletivo no Rio (Foto: Divulgação/Polícia Civil)
Moisés Camilo de Lucena, conhecido como Canário, é suspeito de participação no estupro coletivo de uma menor (Foto: Reprodução/ TV Globo)Moisés Camilo de Lucena, conhecido como Canário, é suspeito de participação no estupro coletivo de uma menor (Foto: Reprodução/ TV Globo)

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