Trotes: falsas ligações podem impedir bombeiros de salvarem vidas

Carlos Grevi / Mauro de Souza
Sala de operação do 5º GBM registra mais de 20 telefonemas mentirosos
Ligações como, “Está pegando fogo na minha caixa d´água” ou “Bombeiro, estou pegando fogo” se tornaram rotina no atendimento de emergência do Corpo de Bombeiros Militar, através do número 193. Diariamente são notificados mais de 20 trotes no setor de atendimento do 5ª Grupamento de Bombeiro Militar (GBM), em Campos.
Na maioria das vezes os autores são crianças e adolescentes. Tem também ligações de moradores de rua e até de pessoas que ligam para conversar assuntos pessoais.
Os falsos acidentes, maus subidos e incêndios congestionam as quatro linhas telefônicas e impedem que outras pessoas, que vão informar um verdadeiro acontecimento, peçam socorro.
“As piadas e brincadeiras são diversas e vêm uma atrás da outra. Além de dificultar o trabalho dos militares, essas ligações prejudicam toda a população. Nossos telefones têm bina [dispositivo que identifica o número da chamada] por isso os atendentes acabam gravando o número. Se a pessoa ficar ligando sempre para brincar, acaba se tornando um mentiroso e quando acontecer um desastre de verdade os agentes podem pensar que é mais uma mentira”, observou o segundo tenente do Corpo de Bombeiros Militar, Pedro Defante Cruz.
Por dia os militares registram mais de 40 saídas de viatura, entre ambulâncias e carros de combate a incêndio. Mesmo com militares experientes nos atendimentos, alguns casos parecem tão reais que uma equipe acaba se deslocando até o endereço indicado e quando chegam nada tinha sido registrado.

“Só trabalha na sala de operação bombeiros treinados e experientes com esse tipo de situação. Dependendo do caso eles logo identificam que é mentira, como, por exemplo, uma pessoa liga uma vez só e fala sobre um incêndio nas casinhas do Eldorado. Se o solicitante não retornar a gente sabe que era brincadeira. Mas, às vezes a mentira é tão firme que a agente acaba acreditando”, lamentou o segundo tenente que ressaltou ainda:
“É muito difícil passar por essa situação. A gente pega as informações suficientes para chegar ao endereço e ficar monitorando a situação com a pessoa que está na linha. Somos bombeiros e não podemos correr o risco de perder uma vida, por isso saímos em alta velocidade correndo o risco de atropelar alguém ou sofrermos um acidente. Tudo isso para chegar ao local e não encontrar nada. As pessoas precisam se conscientizar sobre isso”, advertiu Defante.
Atenção, se você já fez ou planeja realizar um trote para o Corpo de Bombeiros, pare e pense para não atrapalhar quem trabalha 24 horas todos os dias do ano arriscando as próprias vidas para salvar outras muitas. Como diz o ditado popular “Não faça com o outro o que você não gostaria que fizessem com você”.
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Fonte: MAYARA FERNANDES- ESTAGIÁRIA
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