Petroleiros continuam em greve e PF investiga cárcere privado
Luiz Bispo / Ascom Sindipetro-NF
Petrobras ainda não apresentou nenhuma proposta ao sindicato
A greve dos petroleiros continua por tempo indeterminado. Após duas assembleias realizadas na tarde desta quinta-feira (17/10), em Campos e Macaé, a Petrobras ainda não havia apresentado nenhuma proposta ao Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF). Na Bacia de Campos, 18 das 43 plataformas aderiram a greve e cerca de 2 mil trabalhadores ficaram parados.
Nas reuniões da tarde desta quinta-feira foi discutida a situação de petroleiros que estão em alto mar a trabalho e querem desembarcar para participar das manifestações, mas não conseguiram. O sindicato acusa a Petrobras de cárcere privado contra esses trabalhadores e ofereceu denúncia-crime contra a estatal na Polícia Federal.
Segundo um dos diretores de comunicação do Sindipetro-NF, Vitor Menezes, não houve nenhum acordo com relação aos petroleiros em alto mar. “Não chegamos a nenhuma conclusão. A única coisa que podemos confirmar, é que a greve terá continuidade e novas mobilizações acontecerão nesta sexta-feira, em locais surpresas”, disse Vitor.
O delegado da Polícia Federal de Macaé abriu inquérito para investigar a Petrobrás por cárcere privado, a pedido do Sindipetro-NF. O sindicato apresentou ao delegado os documentos enviados pelos trabalhadores das plataformas denunciando essa situação e o inquérito foi instaurado.
GREVE TEVE INÍCIO NAS PRIMEIRAS HORAS DESTA QUINTA
Na manhã desta quinta-feira a diretoria do Sindicato-NF e membros da categoria petrolífera, além do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) interditaram desde às 6h, o Prédio Cajueiros, que abriga a Unidade de Operação (UO-Rio), em Macaé.
A principal reivindicação dos petroleiros é a suspensão imediata do leilão do Campo de Libra no pré-sal, previsto para o dia 21. Além disso, a categoria é contra a terceirização de mão de obra e exige reajuste de 16,53% no salário-base o que, segundo os trabalhadores, não ocorre há 17 anos.
Descoberto em 2010, o Campo de Libra fica na Bacia de Santos, a cerca de 180 quilômetros da costa do Rio de Janeiro, e representa uma área de 1,5 mil quilômetros quadrados dos 149 mil quilômetros quadrados do chamado polígono do pré-sal.
PLATAFORMAS E CAMPOS TERRESTRESEstão parados os trabalhadores das refinarias de Duque de Caxias (Reduc/RJ), Manaus (Reman/AM), Paulínia (Replan/SP), Mauá (Recap/SP), Mataripe (Rlam/BA), Gabriel Passos (Regap/MG), Paraná (Repar), Alberto Pasqualine (Refap/RS), além da SIX (unidade de Xisto/PR), da FAFEN (fábrica de fertilizantes/BA), Termorio (Duque de Caxias).
TRANSPETRO
Na Transpetro, a greve atinge os terminais de Solimões (AM), Madre de Deus (BA), Campos Elíseos (Duque de Caxias/RJ), Cabiúnas (Macaé/RJ), Guararema (SP), São Caetano (SP), Barueri (SP), Brasília, São Francisco do Sul (SC), Itajaí (SC), Guaramirim (SC), Biguaçu (SC), Paranaguá (PR), Osório (RS), Canoas (RS) e Rio Grande (RS).
Na Transpetro, a greve atinge os terminais de Solimões (AM), Madre de Deus (BA), Campos Elíseos (Duque de Caxias/RJ), Cabiúnas (Macaé/RJ), Guararema (SP), São Caetano (SP), Barueri (SP), Brasília, São Francisco do Sul (SC), Itajaí (SC), Guaramirim (SC), Biguaçu (SC), Paranaguá (PR), Osório (RS), Canoas (RS) e Rio Grande (RS).
INTERDITO PROIBITÓRIO
Em Macaé, logo pela manhã, a empresa ingressou com pedido de interdito proibitório, que foi acatado pelo juiz da 1ª Vara do Trabalho. A medida, como na época da greve de 95, impõe multa de R$ 100 mil ao sindicato, caso as salas de controle das plataformas continuem sendo ocupadas pelos trabalhadores e a produção, paralisada. O sindicato alega que não foi ouvido sobre o assunto.
Em resposta, os petroleiros e movimentos sociais realizaram uma grande manifestação em frente à Justiça do Trabalho, exigindo a liberação dos trabalhadores das plataformas que estão sendo mantidos pela empresa em cárcere privado.
Em Manaus, houve conflitos com a polícia na Reman. Os policiais tentaram impedir a manifestação das centrais sindicais e movimentos sociais em apoio à greve dos petroleiros e contra o leilão de Libra.
Ainda de acordo com o presidente, o movimento de greve se deu por conta da falta de avanço nas negociações entre os trabalhadores e a Petrobras. "Desde a zero hora de hoje estamos em movimento de greve. Somos contra o leilão do Campo de Libra, contra o Projeto de Lei 4330 que regulariza de forma pior a terceirização e contra a nova proposta do Acordo Coletivo. Nós estamos buscando acordo uma vez que as negociações não avançaram junto a empresa", afirma José Maria.
Em posicionamento a greve dos petroleiros, a Petrobras enviou uma nota em que diz que com relação ao leilão de Libra e o Projeto de Lei 4330, não cabe posicionamento. Já em relação a investigação da Polícia Federal a empresa não se posicionou.
RESPOSTA DA PETROBRAS
A Petrobras foi informada de que a greve que se iniciou hoje (17/10) tem como principais motivadores o leilão de Libra e o Projeto de Lei 4330, sobre os quais não cabe posicionamento da Petrobras.
A Petrobras foi informada de que a greve que se iniciou hoje (17/10) tem como principais motivadores o leilão de Libra e o Projeto de Lei 4330, sobre os quais não cabe posicionamento da Petrobras.
A companhia tem como prática nesse tipo de mobilização tomar todas as medidas necessárias para garantir suas operações, de modo a não haver qualquer prejuízo às atividades da empresa e ao abastecimento do mercado, sendo mantidas as condições de segurança dos trabalhadores e das instalações da companhia.
Sobre as negociações do Acordo Coletivo de Trabalho 2013, a Petrobras realizou uma série de reuniões com as entidades sindicais e apresentou sua proposta ao longo das últimas semanas. Além de uma proposta completa para as cláusulas sociais (relacionadas ao plano de saúde, benefícios educacionais, saúde, segurança, condições de trabalho etc) , a empresa propôs um reajuste de 7,68% e uma gratificação equivalente a uma remuneração, entre outros ganhos econômicos. A Petrobras afirma que está aberta ao processo de negociação com as entidades sindicais sobre o ACT 2013.
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