sábado, 19 de outubro de 2013

PETROLEIROS DE 40 PLATAFORMAS DA BACIA DE CAMPOS ADERIRAM A GREVE


Sindipetro-NF denunciou empresa petrolífera de cárcere privado a Polícia Federal
 Reprodução / Luiz Bispo - Ascom Sindipetro

Sindipetro-NF denunciou empresa petrolífera de cárcere privado a Polícia Federal

No segundo dia de paralisação a Federação Única dos Petroleiros (FUP) informou que a adesão da categoria chega a 90% em todo o país. Na Bacia de Campos, representantes do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF) denunciam que a equipe de contingência, encaminhada pela empresa, mantém a plataforma P-15 em operação com vazamento.  O sindicato vai denunciar o vazamento de óleo de um tanque que armazena o petróleo antes de sua exportação. O Sindipetro-NF informou ainda que 40 plataformas da Bacia de Campos aderiram ao movimento. E nesta sexta-feira (18/10) aconteceu uma nova manifestação dos trabalhadores no Terminal de Cabiúnas.
Segundo o coordenador do Sindicato Sindipetro-NF, José Maria Rangel, fruto da pressão dos trabalhadores, alguns desembarques começaram a acontecer em locais aonde havia resistência da empresa.  A entidade realizou protesto na Vara do Trabalho de Macaé, manteve audiência com o juiz e, ainda, denunciou o que chamou de cárcere privado à Polícia Federal (PF).
"Fomos felizes em fazer aquela manifestação na Justiça do Trabalho, ter feito a denúncia de cárcere privado na PF, e aliado a isso, termos orientado a categoria a mostrar a sua insatisfação nas plataformas. Conseguimos desembarcar grande parte dos petroleiros, mas ainda temos trabalhadores que estão a bordo por conta dessa política da empresa de cárcere privado”, disse.
A Polícia Federal aderiu um inquérito para investigar a denúncia e se a restrição para o desembarque seja a greve dos petroleiros.
José Maria falou ainda que o momento é de manter a calma e a serenidade, priorizando a busca do desembarque de todos os grevistas que continuam a bordo das plataformas. O coordenador criticou o corte de comunicação que, de acordo com denúncia de trabalhadores, tem ocorrido em algumas unidades, como a P-53.
Sobre a iminência da data prevista para o leilão no campo de Libra, que previsto para ser realizado nesta segunda-feira (21/10), o leilão foi confirmado pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. O coordenador afirmou que a categoria seguirá mobilizada para tentar cancelar a venda e lamentou o anúncio de que até o Exercito será utilizado para garantir a realização do leilão.
“A decisão do governo de chamar o Exército para as ruas do Rio de Janeiro para fazer o leilão é uma demonstração clara de que agente conseguiu mobilizar uma parcela da sociedade. Foi uma atitude muito infeliz essa do governo. Devia ser o contrário. O Exército Brasileiro deveria garantir o patrimônio nacional e foi chamado para garantir a venda do patrimônio nacional. É mais um absurdo nessa loucura que é o leilão de Libra”, ressaltou.
De acordo com o sindicalista, o movimento seguirá forte para pressionar a empresa petrolífera a firmar um acordo coletivo justo, onde, inclusive, se comprometa a não aplicar o que prevê o Projeto de Lei 4330, da terceirização, como já vem ocorrendo em algumas áreas.
CENÁRIO NACIONAL
A FUP informou neste segundo dia de greve que a adesão ao movimento chega a 90% nas unidades operacionais, com a participação de contratados diretos e terceirizados. Os trabalhadores exigem a suspensão do leilão do campo de Libra, além de cobrar avanços nas negociações da campanha salarial.
Com aproximadamente 83 mil trabalhadores contratados diretos pela Petrobras e cerca de 350 mil terceirizados, a categoria também quer a retirada do Projeto de Lei 4.330, do deputado e empresário Sandro Mabel (PMDB-GO), sobre terceirização.
Em nota emitida nessa quinta-feira (17/10) a Petrobras afirmou que “a companhia tem como prática nesse tipo de mobilização tomar todas as medidas necessárias para garantir suas operações, de modo a não haver qualquer prejuízo às atividades da empresa e ao abastecimento do mercado, sendo mantidas as condições de segurança dos trabalhadores e das instalações da companhia”.
Os grevistas também exigem avanços nas negociações da campanha salarial da categoria, que tem data-base em 1º de setembro. A pauta entregue em 6 de agosto inclui aumento real de 5%, além de melhorias em saúde, segurança, criação de um fundo garantidor para terceirizados, mudanças no pagamento de horas extras e auxílio-farmácia, entre outros itens.
Até o momento a Petrobras somente concordou em antecipar a correção da inflação, paga em setembro, e ofereceu 7,68% de reajuste sobre a remuneração mínima, o que representaria pouco mais de um 1% de aumento real (acima da inflação).
Por meio de nota a Petrobras informou que esta aberta a negociações e que não vai se posicionar sobre a terceirização e nem sobre o leilão do Campo de Libra.
"A Petrobras informa que não praticou qualquer ato de coação dos empregados na Bacia de Campos.Os profissionais em greve que não estão envolvidos nas atividades de segurança e na garantia da habitabilidade das plataformas estão sendo desembarcados, respeitando-se os limites de tráfego aéreo, disponibilidade e carga horária das aeronaves e dos pilotos, de acordo com as definições logísticas e de segurança estabelecidas pela empresa", informou a nota.


Fonte: REDAÇÃO / ASCOM

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