quarta-feira, 26 de abril de 2017

José Carlos Gratz e outros dois são presos pela Polícia Federal no ES

Polícia Federal cumpre mandados de prisão no Espírito Santo (Foto: Kaique Dias/ CBN Vitória)A Polícia Federal no Espírito Santo prendeu na manhã desta quarta-feira (26) o ex-presidente da Assembleia Legislativa, José Carlos Gratz; o ex-tesoureiro da campanha do ex-governador José Ignácio Ferreira, Raimundo Benedito de Souza Filho, o Bené; e Rodrigo Fermo Vidigal Stefenoni, ex-chefe de gabinete.
Segundo a Polícia Federal, as prisões foram cumpridas após os mandados expedidos pelo juiz federal substituto da 1ª Vara Federal Criminal de Vitória, Vitor Berger Coelho.
Os três presos foram condenados em primeira instância pelo crime de peculato, que é a apropriação de recursos públicos.
Raimundo Benedito de Souza Filho, o Bené (Foto: Roberto Pratti/ TV Gazeta)Levado ao Departamento Médico Legal (DML) para fazer exame de corpo de delito, Bené afirmou que a prisão se deu por um esquema de lavagem de dinheiro. "Não sei que dinheiro que eu lavei", disse Bené à reportagem da Rádio CBN Vitória.Questionado sobre a prisão ter ligação com a campanha do ex-governador José Ignácio Ferreia, Bené afirmou que "o pessoal sabe que tem milhares de ações contra o pessoal que foi beneficiado e que não aconteceu nada, a Justiça está vendo aí".
A Justiça Federal no Espírito Santo ainda não deu detalhes sobre os crimes que os presos foram condenados.
Rodrigo Vidigal Stefenoni  (Foto: Roberto Pratti/ TV Gazeta)O advogado de Bené e de Rodrigo Stefenoni, Hélio Deivid Amorim Maldonado, disse que os dois foram encaminhados para o Centro de Triagem de Viana. Segundo o advogado, a prisão aconteceu por conta de desvios de dinheiro da Fundação Augusto Ruschi.Maldonado explicou que um juiz já tinha indeferido o pedido de prisão feito pelo Ministério Público, mas com a chegada de um novo juiz o pedido foi revisto. Ele informou que a defesa vai recorrer. G1 entrou em contato com os advogados de José Carlos Gratz, que não atenderam às ligações. A reportagem também ligou para a casa do ex-deputado, porém foi informada de que nenhum parente ou representante estava no local.

Fundação Augusto Ruschi

Em 2001, o Ministério Público abriu uma investigação para apurar o sumiço de R$ 4 milhões e 396 mil da conta da Fundação Augusto Ruschi que estava depositado em uma conta da Coopeftes, uma cooperativa de crédito privada. O dinheiro era fruto de um convênio com o governo do Espírito Santo para a transferência do ICMS de empresas para a fundação.
No entanto, a ordem para o saque não possui nenhuma assinatura. Uma sentença de 2011 condenou Raimundo Benedito de Souza Filho, o Bené, a 19 anos de reclusão por prática de crimes de gestão fraudulenta e apropriação indébita.
Outras seis pessoas também foram condenadas. Segundo o Ministério Público Federal (MPF-ES), eles foram responsáveis por um esquema de empréstimos fraudulentos que causou a liquidação extrajudicial da Cooperativa de Crédito Mútuo dos Servidores da Escola Técnica Federal do Espírito Santo (Coopetfes), decretada em outubro de 2001.

Gratz já cumpria pena no regime semiaberto

No dia 30 de março, José Carlos Gratz começou a cumprir pena por uma condenação de quatro anos, em regime aberto. Pela decisão da juíza da 9ª Vara Criminal, Claudia Vieira de Oliveira Araújo, ele tem que permanecer em casa, durante a noite, entre 22h e 5h.
A condenação refere-se ao caso de obras realizadas em Cobilândia, Vila Velha, e que na esfera eleitoral acabou resultando na cassação dos direitos políticos do ex-presidente da Assembleia, em 2002.
A Gratz foram impostas, pela juíza, algumas restrições. Além do horário para dormir em sua casa, precisa ter endereço fixo, comprovar que está trabalhando, não se ausentar do estado, comparecer a cada dois meses na Justiça e há também restrição para frequentar alguns locais.
Ainda há recursos em relação a este processo, apresentados pelo ex-presidente da Assembleia, no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Mas a execução provisória da pena começou a ser cumprida com base em decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

José Carlos Gratz

O ex-presidente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo, José Carlos Gratz, teve uma trajetória política marcada por escândalos e polêmicas nos últimos 25 anos. No passado, Gratz esteve publicamente ligado a jogos de azar e foi eleito deputado estadual em 1991. Ele deixou a Assembleia em 2003, depois de renunciar à presidência e ser acusado de vários crimes.
Em 2013, Gratz foi denunciado pelo Ministério Público Federal, que tomou conhecimento de um esquema de pagamento de propina a deputados estaduais para garantir a reeleição de 2000. Ele foi preso.
José Carlos Gratz ficou cinco meses na cadeia. Mas antes de ser preso pelo crime de improbidade administrativa, o político foi ligado a outras violações da lei, enquanto presidente do Legislativo.

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