Operário morre após queda de 30 metros no Superporto do Açu, em SJB
Mauro de Souza
Vítima chegou a ser socorrida para o Posto de Saúde de Mato Escuro
O operário Carlos Manoel da Silva, de 29 anos, que prestava serviços nas obras do Superporto do Açu, em São João da Barra, morreu após sofrer uma queda de aproximadamente 30 metros, na tarde desta quinta-feira (05/09). O acidente aconteceu por volta das 16h.
De acordo com informações passadas pelos colegas de trabalho, ele estava montando o telhado de um galpão, onde ficará a fábrica da empresa Technip. Eles informaram ainda que o operário, estava cumprindo aviso prévio e usava o cinto de segurança, mas o mesmo não estava encaixado ao cabo (linha de vida vertical) que fica preso a uma base fixa. Em caso de queda, esse equipamento segura o trabalhador e evita que ele caia ao solo.
O montador foi socorrido pelo Resgate interno da empresa e levado para o Posto de Saúde de Mato Escuro, onde já deu entrada sem vida. De acordo o médico plantonista, Renato Guimarães Machado, o rapaz chegou à unidade politraumatizado, com múltiplas hemorragias, com praticamente todos os ossos do corpo quebrados, além de muito sangue no pulmão possivelmente vindo do tórax por causa das fraturas de costelas.
Segundo informações do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria e da Construção Civil, que está acompanhando o caso, o operário prestava serviço a empresa Açotec, subcontratada da Flexibras, que pertence ao Grupo Technip, que está instalada há quase um ano, e por sua vez presta serviços à LLX.
Representantes do Sindicato tiveram acesso ao corpo do jovem, ainda no Posto de Saúde de Mato Escuro, e constataram que ele usava um cinto de segurança simples, sem o talabarte (alça com ganchos que protege o usuário do cinto de segurança travando a queda) e sem as duas travas com trava-queda, que é usado com o cinturão acoplado a linha de vida vertical.
A técnica de enfermagem da Technip, Manoela dos Santos Barbosa, disse que ao chegarem ao local do acidente, o jovem já estava sendo pranchado para ser removido. Ela confirmou que ele estava usando o cinto, mas não a existência da linha de vida vertical. “A informação que temos é de que tem a linha de vida, mas não constatamos isso no local”, disse.
De acordo com o Sindicato, nesses casos de acidente, além das empresas responsáveis, o engenheiro da obra, o engenheiro e técnico de segurança do trabalho respondem judicialmente pelo acidente.
A equipe do Site Ururau conversou com o técnico de segurança da empresa, Willian de Souza. Ele disse ter total afirmação de que o operário estava usando o cinto, mas se ele estava “tracado” ou não a linha de vida, não soube informar, pois não estava no local no momento do acidente.
Willian disse ainda que a fiscalização no canteiro de obras é diária e feita pelos próprios funcionários.
A Perícia Técnica esteve no posto médico para analisar o caso. "Só vamos ter uma análise mais detalhada indo ao local do acidente", comentou o perito que logo após foi até o canteiro de obras onde o operário morreu.
Carlos Manoel era natural da cidade de Marco, no Ceará. O corpo foi removido e levado para o Instituto Médico Legal (IML) de Campos. O caso foi registrado na 145ª Delegacia Legal de São João da Barra.
Desde que foram iniciadas as obras do Superporto do Açu, este é o segundo caso de acidente do trabalho com morte no local em três anos. O primeiro aconteceu em 2010.
GRUPO TECHNIP FALA SOBRE O ACIDENTEPor meio nota, a Flexibras informou que Carlos Manoel da Silva é funcionário de uma empresa subcontratada da prestadora de serviços Açotec e se acidentou enquanto montagem do telhado de um dos galpões de sua nova unidade no Superporto do Açu. "Ele recebeu assistência imediata, foi transferido ao hospital, vindo a falecer posteriormente. O operário caiu de uma altura de aproximadamente 20 metros. Estamos solidários à família do operário, que está sendo assistida, e a empresa está dedicando recursos e esforços necessários para apoiar a Açotec e autoridades na investigação das causas do acidente. A Flexibras tem como valor principal a segurança e a saúde de todos os seus colaboradores e subcontratados e possui rígidas regras e procedimentos de segurança em todos os seus projetos e unidades".
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