Carlos Grevi / Mauro de Souza
Profissionais reivindicam melhorias e alunos estão preocupados com falta de aula
Há quase um mês alunos da Fundação de Apoio à Escola Técnica do Estado do Rio de Janeiro (Faetec) estão sem aula. Os profissionais estão em greve e reivindicam plano de cargos e salários e a convocação de concursados. Enquanto isso, estudantes reclamam da greve e se mostram preocupados com a qualidade do ensino nas instituições da rede.
Desde o dia 12 do mês de agosto alunos da rede Faetec estão sem aula, e a maioria se sente prejudicada. É o caso de estudantes do curso Eletromecânica, na Escola Técnica João Barcelos Martins, uma das escolas vinculadas à rede. Além da João Barcelos, também aderiram a greve os profissionais da Escola Técnica Estadual Agrícola Antônio Sarlo.
“Quando chegamos para estudar os portões estavam fechados e nos disseram que estavam em greve. Para nós alunos isso é muito ruim, pois atrasa na formação e absorção da matéria”, disse o jovem que terá identidade preservada.
O estudante conta ainda que é a segunda greve que enfrenta na instituição somente este ano. “No primeiro módulo nós tivemos uma greve de mais ou menos um mês. Agora estamos em greve de novo, são praticamente dois meses parados. Quando ligamos para a escola, ninguém atende ao telefone e quando vamos pessoalmente falam que não tem informação de volta às aulas”, completou.
Um ex-aluno do João Barcelos Martins, que também não quis se identificar, denunciou a falta de estrutura no ensino técnico.
“Os professores não passavam o conteúdo com qualidade, simplesmente jogavam a matéria e não têm paciência para explicar. Na minha turma tinha mais de 30 alunos, quando pedíamos para tirar as dúvidas os professores não davam à mínima. Tinha o caso de uma professora que ao invés de dar aula, passava vídeo. Abandonei o curso de eletromecânica no módulo passado porque no mês de provas aconteceu outra paralisação também”, comentou.
A equipe do Site Ururau entrou em contato com a Faetec em Campos, e o diretor geral da Escola Técnica João Barcelos Martins, Alcenir Bueno, respondeu as reclamações feitas estudantes.
"Nossa equipe assumiu a gestão da escola esse ano, porém, a equipe de professores é basicamente a mesma (salvo novos contratos que tivemos que pedir para suprir carências emergências na unidade). Os professores do ensino médio lecionam nas melhores escolas privadas de Campos, em que uma gama considerável possui especialização, mestrado e doutorado. Os professores do ensino técnico também lecionam em grandes escolas como IFF e em universidades do município. São professores renomados dentro do ensino técnico e secundarista. Essa análise não representa o sentimento da comunidade escolar. Anualmente encaminhamos dezenas de alunos para o mercado de trabalho. São muitos os alunos que comparecem na escola para dar entrada em histórico/diploma por passarem em concurso público ou por serem contratados para o setor de OFF – SHORE (caso do curso de Eletromecânica). Em relação a greve, tranquilizo os pais dos alunos, afirmo que haverá reposição dos dias letivos paralisados, exatamente como fizemos na greve anterior, quando ficamos 20 dias letivos parados, e, então, fizemos reposição de aula até 26 de julho”, disse em nota.
Segundo o Sindicato dos Profissionais de Educação da Faetec (Sindpefaetec) nesta terça-feira (10/09), às 10h, acontecerá uma reunião do Comando de Greve e às 14h será realizada uma Assembleia Geral, no ISERJ, na capital do Estado, com todos os profissionais para decidir o rumo da greve.
Nenhum comentário:
Postar um comentário