terça-feira, 10 de setembro de 2013

ADIADA AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO DO CASO " RENATO MACHADO "


Juíza está licenciada por 60 dias e nova data ainda não foi divulgada
 Divulgação

Juíza está licenciada por 60 dias e nova data ainda não foi divulgada

Foi adiada na manhã desta segunda-feira (09/09), mas ainda sem data definida, a Audiência de Instrução e Julgamento (AIJ) do caso Renato Machado, radialista sanjoanense morto no dia nove de janeiro deste ano, em frente à sua casa, na Rua Manoel de Souza Braga, ao lado da rádio, no Bairro de Água Santa, em São João da Barra.
Testemunhas e familiares da vítima se reuniram em frente ao fórum do município para a audiência que estaria marcada para se iniciar às 10h30 desta manhã, oito meses após o crime. No entanto, a mesma foi adiada devido ao pedido de licença, por 60 dias, da juíza Luciana Cesário de Mello. Com o afastamento temporário da juíza, deveria assumir o juiz Leonardo Cajueiro, mas o mesmo não teria tido tempo hábil para desmarcar os compromissos da colega magistrada. A nova data ainda não foi definida.
A irmã de Renato, Milena Machado Gonçalves, falou com o Site Ururau, sobre os dias da família após a morte do irmão e a expectativa do julgamento.
“O tempo de Deus não é o nosso. Vai chegar o tempo em que ele possa se anunciar. Meu pai se encontra hospitalizado devido a essa grande perda do nosso Renato. Ele que tanto fez por essa cidade. A gente espera que a doutora Luciana retorne logo, por que São João da Barra quer ver esse caso resolvido e encerrado pra ter paz. A gente quer viver o luto em paz. Renato era presente, amigo em todos os momentos de nossas vidas. Essa é a falta que o Renato faz. A gente olha pro relógio esperando a hora dele chegar e ele não chega. A gente está pedindo força pra suportar essa batalha, mas Deus não dá uma cruz que não possa carregar”, desabafou a irmã de Renato que contou ainda que desde a última quinta-feira (05/09), o pai encontra-se internado no Hospital Escola Álvaro Alvim, vítima de um Acidente Vascular Cerebral (AVC).
“O choro do meu pai, até ser sedado, era como se estivesse acabado de receber a notícia da morte do meu irmão”, contou.
 
RELEMBRE O CASORenato Machado tinha acabado de chegar à casa e estacionado o carro no lado oposto da rua, como de costume. A esposa e a sobrinha entraram, seguido de Renato que chegou a fechar o portão e o teria aberto novamente depois de ouvir alguém bater no mesmo.
O radialista foi surpreendido por pelo menos quatro disparos que o atingiram na região do tórax. A sobrinha da vítima, uma menina de aproximadamente seis anos chegou a ser atingida por um tiro de raspão em um dos pés. Os dois foram levados para o Posto de Emergência do município, de onde Renato foi transferido para o Hospital Ferreira Machado (HFM), em Campos, onde morreu pouco tempo depois de dar entrada.
Com o caso registrado na 145ª DP, deu-se início às investigações, ainda na madrugada do dia nove de janeiro. As primeiras informações colhidas davam conta de que dois homens, numa motocicleta, teriam efetuado os disparos.
No mesmo dia, em coletiva, a delegada Madeleine Farias, de posse das imagens flagradas pelo circuito de câmeras da rádio, localizada ao lado da casa da vítima, revelou trabalhar com três linhas de investigação. A primeira de crime passional, devido a uma separação do casal no ano anterior, quando a viúva teria começado a se relacionar com outra pessoa, o Eloy. Ele não teria aceitado o fim do relacionamento e a retomada do casamento com Renato. A segunda hipótese foi de crime político, já que a vítima tinha envolvimento com a política local e a última era devido a dois inquéritos contra a vítima por lesão corporal, após o envolvimento do mesmo em uma briga com um vereador do município. 

No dia seguinte ao crime, Eloy se apresentou espontaneamente na 145ª DP, e confirmou ter ficado arrasado com o fim do relacionamento, mas que não teria nada a ver com o assassinato.
As investigações prosseguiram até que no dia 14 de janeiro, quandoGilmar Barreira Ramos Júnior, de 32 anos, o "Cachaça", foi preso por força de um mandado de prisão cumprido pela Polícia Militar que aguardou o suspeito sair de casa para prendê-lo, na Rua Feliciano Sodré, em frente ao Atafona Praia Clube.
"Cachaça" já tinha passagem por homicídio e foi preso durante a Operação Petisco, realizada em 2005 na Comunidade Tira Gosto em Campos. Em seu depoimento, "Cachaça" negou participação no crime e apontou como autor do crime, Ricardinho, que havia fugido de uma incursão em sua casa, para cumprimento de mandado, dias antes.
No dia seguinte, em coletiva com a imprensa, a delegada Madeleine Farias afirmou que duas testemunhas confirmaram, em depoimento, que Gilmar seria o autor dos disparos que mataram o radialista Renato Machado. Uma das testemunhas contou em depoimento que Gilmar  teria recebido dinheiro para matar o radialista e a outra confirmou, após ver as imagens gravadas pelas câmeras de segurança.
Na manhã do dia 22 de janeiro, numa ação conjunta com aCoordenadoria de Recursos Especiais da Polícia Civil (Core), cães farejadores foram utilizados em novas buscas na tentativa de localizar a arma usada no crime. A ação se concentrou no entorno do Atafona Praia Clube, local onde próximo à residência de Ricardinho, que até então era um dos suspeitos de terem participado do crime.
No dia 25 de janeiro, policiais civis da 145ª DP detiveram o homemsuspeito de contratar Gilmar, o “Cachaça”, para executar a tiros o radialista Renato Machado. João Roberto da Silva, 38 anos conhecido como “João Pampinha” foi detido em frente à sede da prefeitura de São João da Barra, local onde trabalhava.
A polícia chegou até Pampinha através de uma testemunha que disse ter visto o mesmo conversar com "Cachaça" pelo menos três vezes antes do crime. Pampinha, por sua vez revelou em seu depoimento, que estava se encontrando com “Cachaça” para acertar uma dívida relativa a cobrança de um terreno, feita por "Cachaça", e que havia sido vendido por João Pampinha.
A delegada revelou não haver terreno algum e afirmou que Pampinha não teria motivos para encomendar a morte de Renato, o que levava a crer que o mesmo fosse apenas um intermediário, o que levou as investigações a busca do mandante do crime.
Finalmente, no dia cinco de fevereiro, Eloy Barcelos de Almeida Lopes, 45 anos, empresário do ramo da construção civil foi preso em seu escritório, na Rua Manoel Teodoro, no Bairro Pelinca, área nobre de Campos, suspeito de ter encomendado a morte do radialista.
Na 134ª DP, Eloy negou sua participação no crime mas, de acordo com Madeleine, quando foi preso, João Roberto da Silva, que mais tarde descobriu-se ser ex-empregado do empresário, entrou em contradição em alguns pontos do depoimento e familiares da viúva apontaram Eloy como mandante do crime.
A delegada acrescentou que João trabalhou para o suspeito por dois anos como ajudante de jardinagem e piscina, rompeu o contrato, mas voltou a trabalhar em novembro do ano passado e no dia 3 de janeiro, foi designado para trabalhar na demolição de um restaurante ao lado da rádio Barra FM, cuja casa de Renato fica nos fundos.
Eloy ficou preso na Casa de Custódia Dalton Crespo de Castro por quatro dias, sendo solto no dia nove de fevereiro por um habeas corpus concedido por um desembargador do Rio de Janeiro. Ele estava preso por força de um mandado de prisão temporária, por 30 dias, até que se concluíssem as investigações para o fechamento do inquérito.
No dia 08 de março, no entanto, o Ministério Público expediu um mandado de prisão preventiva contra o empresário e os demais envolvidos no crime, que já estavam presos. A Polícia Civil fez buscas em três endereços do empresário, em Campos e São João da Barra e Eloy chegou a ficar foragido por três dias e se apresentou espontaneamente à justiça na madrugada do dia 12 de março.
 


Fonte: URURAU

Nenhum comentário:

Postar um comentário