terça-feira, 6 de junho de 2017

Traficantes com fardas da PM atiraram contra líder comunitária, afirma polícia


Rio - A Divisão de Homicídios (DH) da Capital concluiu que um policial militar e traficantes que usavam a farda da corporação mataram a líder comunitária Glória dos Santos Mica, em dezembro do ano passado.
Um dos traficantes identificado é Álvaro Santa Rosa, o Peixão, do Terceiro Comando Puro (TCP) — facção que passou a controlar os pontos de vendas de drogas do Comando Vermelho, dias antes de Glória ser morta. Outro criminoso teve somente o apelido identificado: Tribolado. Já o PM, o cabo Carlos José Costa Júnior, foi preso essa manhã.
Glória Maria dos Santos Miccas, líder comunitária da Cidade Alta, foi assassinada em dezembro de 2016Reprodução/Facebook
Glória foi morta horas após de discutir em uma reunião do conselho comunitário que possui representantes do 16ºBPM (Olaria). Ela não teria aceitado pagar propinas a policiais que davam apoio à nova facção que dominava a Cidade Alta, já que possuía participação no tráfico da quadrilha expulsa. Durante a reunião do conselho, Glória criticou os policias que nada faziam para prender os traficantes do TCP.
"Essa operação se chama Cilada justamente porque a Glória recebeu uma mensagem de telefone após a reunião, provavelmente um policial que ela conhecia. Ao se aproximar do carro, o cabo Costa Júnior, que o dirigia, abaixa o vidro e ela se aproxima. Dois dos quatro homens que estavam no carro eram da Cidade Alta e fizeram disparos contra ela", afirmou o delegado Fábio Cardoso, titular da DH.
Peixão, um dos líderes do TCP, passou a tomar conta dos pontos de venda de drogas após mapear a comunidade com o uso de drones. Há a suspeita de que ele tenha usado o blindado da Polícia Militar, após pagar propinas a policiais, para realizar a ação. Um áudio apontando a ação é alvo de investigação na Polícia Civil, na Polícia Militar e no Ministério Público.

No dia seis do mês passado, um novo episódio revelou a conivência entre alguns policiais militares com traficantes. Nove sargentos foram transferidos do batalhão após uma operação que resultou na prisão de 49 suspeitos e na apreensão de 33 fuzis e granadas. Na época da guerra entre as facções, o então chefe, Rodnei de Menezes Andrade, o Baratão, trocou de quadrilha e passou a dividir o comando do tráfico local com Peixão. "A investigação aponta que toda morte na comunidade tem que ter aval de Baratão. Por conta disso, também pedimos a prisão dele", disse Cardoso.

Ao DIA, em relação à transferência, o comandante-geral da PM confirmou que ela ocorreu pois "havia suspeitas de possíveis facilidades ilícitas entre os agentes e traficantes".
Na operação desta terça-feira, dez policiais militares (um tenente e nove praças) foram levados para depor coercitivamente em relação à morte de Glória. Entre alguns deles, afirmou a DH, estão os que foram transferidos em maio. 

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