A morte da presidente da Associação de Moradores da Cidade Alta, Glória Maria dos Santos Mica, assassinada em Cordovil, na Zona Norte do Rio, em dezembro do ano passado foi “cruel e ardilosa”, segundo a Divisão de Homicídios da Capital. Na manhã desta terça, a polícia prendeu o cabo da PM Nilton Carlos José Costa Junior, em Realengo, na Zona Oeste, por suspeita de participação na morte.
De acordo com o delegado Fábio Cardoso, a vítima foi atraída por uma mensagem de uma pessoa conhecida. “Ao chegar ao local pra encontrar essa pessoa, ela foi assassinada. A execução desse crime foi bem cruel, bem ardilosa ", disse Cardoso.
Durante a reunião do conselho comunitário, que teve participação inclusive de representantes da PM, Gloria fez algumas acusações que policiais estariam perseguindo pessoas ligadas à facção que havia saído da comunidade. "A partir daí, ela foi atraída para esse local onde ela foi assassinada", afirmou Fabio Cardoso.
A morte de Glória, segundo a delegacia, está ligada à briga entre duas facções criminosas que lutam pelo comando da Cidade Alta. "Ela é apontada como pessoa atuante de uma das facções. Ela tinha uma função importante dentro do tráfico", afirmou a delegada Marcela Ortiz.
A participação de policiais na morte está ligada, segundo a delegada, a uma rede de propina entre duas facções criminosas e alguns policiais da região do batalhão de Olaria. "Estamos trabalhando para saber valores", disse a delegada.Outros 10 policiais militares foram conduzidos coercitivamente para prestar depoimento sobre o caso. A polícia também fez uma operação na Cidade Alta para prender dois traficantes que teriam participado do assassinato da líder comunitária: Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão; e Rodnei de Menezes Andrade, o Baratão. Durante a ação da polícia, houve tiroteio na comunidade, logo nas primeiras horas da manhã.
"Quando a Cidade Alta era comandada por uma facção, era paga a propina por uma delas. Depois que mudou de mãos, o dinheiro passou a ser pago para esses policiais por outras pessoas", afirmou.
Ainda de acordo com a polícia, Lucas, filho de Glória, foi vítima de tentativa de homicídio na mesma ocasião. Junto com o PM, estavam dois traficantes, que segundo Fabio Cardoso, estavam fardados. "Quando ela viu que havia outras pessoas além do cabo Costa Junior, tentou fugir, mas foi atingida e morreu no próprio local".
O controle de escala do batalhão de Olaria do dia 8 de dezembro, quando ocorreu o crime, sumiu, segundo o delegado Fábio Cardoso. "A investigação vai prosseguir, a gente vai procurar esclarecer se houve mais envolvidos nessa execução", afirmou.
Morte
A líder comunitária foi morta em dezembro de 2016, logo depois de participar de uma reunião do Conselho Comunitário de Segurança no Batalhão de Olaria. De acordo com os agentes, nessa reunião, ela denunciou que policiais militares estavam ajudando uma facção que disputava o controle do tráfico de drogas na comunidade da Cidade Alta.
Na casa do PM, que estava lotado no 4º BPM (São Cristóvão), os policiais também apreenderam documentos e armas. A polícia também procura outros dois criminosos suspeitos de envolvimento na morte da líder comunitária e também está cumprindo mandados de busca e apreensão na casa de outros 10 policiais militares.
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