sexta-feira, 9 de junho de 2017

Padrasto que estuprou e matou criança foi para um pagode após os crimes

Fabiane Isadora Claudino morreu aos dois anos, vítima de abusos do padrasto
Fabiane Isadora Claudino morreu aos dois anos, vítima de abusos do padrasto
Foto: Reprodução
A Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) concluiu nesta sexta-feira (9) o inquérito sobre os crimes de tortura e estupro que resultaram na morte da pequena Fabyane Isadora Claudino, de 2 anos e 4 meses, e o encaminhou à Justiça. A criança morreu no dia 18 de maio, em Cariacica. O padrasto, Michael Lelis, confessou os crimes e segue preso, assim como a mãe da criança, que teve mandado de prisão temporária expedido por ter se omitido do cuidado com Isadora.
O delegado Lorenzo Pazolini, titular da DPCA que investigou o caso, ainda descobriu que Michael Lelis foi para um pagode logo após deixar a criança em estado grave em um hospital de Cariacica. De acordo com Pazolini, o padrasto somente soube da morte da menina no dia seguinte ao crime, e chegou a pedir ajuda a uma ex-namorada, que também será indiciada por favorecimento pessoal.

MESMO COM FILHA À BEIRA DA MORTE, AJUDOU O AGRESSOR
Segundo o delegado Lorenzo Pazolini, Maria Isabel foi orientada no dia do crime a não passar informação alguma para Michael, que, na ocasião era o principal suspeito — que depois confessou o crime. Mesmo assim, ela auxiliou o companheiro a fugir do flagrante e o orientou a não voltar ao hospital 'porque a polícia já estava no caso e ia dar problema'. "Ela ajudou o homem que fez aquilo tudo com a própria filha", destacou Pazolini.
Maria Isabel, mãe de Isadora, foi presa por ter se omitido do cuidado com a filha
FRIEZA
Segundo testemunhas que estavam no hospital para o qual Isadora foi levada, a mãe estava fria e indiferente à situação, o que gerou revolta nas outras mães que lá estavam. As mães queriam agredir Isabel e a segurança precisou ser acionada. A equipe médica que tentava salvar Isadora se emocionava, enquanto a mãe permanecia indiferente, como se nada daquilo fosse com a própria filha.
'SOU INOCENTE'
Presa, Maria Isabel continua alegando inocência. Disse que cuidava da criança e que não sabia das agressões.
CRIANÇA TESTEMUNHA
Segundo o delegado, a irmã de Isadora disse que não dormia enquanto a mãe não chegava em casa porque tinha certeza de que a irmã seria agredida em mais uma oportunidade. "A própria criança tentava proteger a irmazinha e não dormia para que o padras não a agredisse.
SOFRIMENTO DA IRMÃ
Menina chorou ao ver mural com os desenhos de Araceli e da irmã, Fabiane Isadora
Menina chorou ao ver mural com os desenhos de Araceli e da irmã, Fabiane Isadora
Foto: Fagundes Caetano
Uma cena comovente marcou a inauguração do mural em homenagem à menina Araceli no domingo (4), no viaduto localizado no final da Praia de Camburi, em Vitória. Fabyane Isadora Claudino, a criança de apenas 2 anos e 4 meses que foi torturada, violentada e assassinada pelo padrasto também foi ilustrada na pintura e emocionou a irmã da vítima, que chorou de saudade apoiada com as mãos na imagem.
O relato foi compartilhado nas redes sociais pelo designer gráfico Alex Fagundes, de 39 anos, que participou da execução do grafite. Ao invés de publicar uma foto do mural finalizado, a cena da irmã de Isadora foi mais marcante para ele. 
“Eu fiquei surpreendido pela quantidade de gente que estava lá, pela emoção que tomou conta e pela alegria das pessoas vendo um mural grande e colorido, mas a cena da irmã de Fabyane acabou comigo. Não foi só a infância dela que foi interrompida, mas a vida de toda a família. A irmã dela, que também é uma criança, vai conviver com isso para sempre”.
Fagundes conta que aceitou participar do trabalho porque se preocupa com a causa, além de ser pai de menina e estar sujeito a passar por uma situação parecida. Ele acredita que o mural é um dispositivo para chamar atenção das pessoas sobre a violência infantil, mas a solução está na Justiça que deveria apurar os casos e punir os agressores. “Enquanto não houver uma Justiça sólida e atuante, os crimes vão continuar acontecendo. Eu retratei no mural um caso antigo, o da Araceli, mas ainda é muito atual porque as histórias se repetem”.
A tia da pequena Fabiane, Thais Costa, fez questão de participar da inauguração com os familiares. Ela disse que ficou muito feliz com a homenagem à sobrinha. “Ficamos gratos e que sirva de exemplo para que isso não aconteça com nenhuma criança. Criança tem que ser criança, tem que brincar, correr, não tem que passar por nada que ela passou”, contou emocionada. Thais contou que não ia levar a sobrinha ao local da homenagem, mas a menina insistiu para ir ver a irmã pela última vez.
DESABAFO DA TIA
Thais Costa, no dia da morte da sobrinha, fez um desabafo sobre a falta de responsabilidade de Maria Isabel, mãe de Isadora.

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