domingo, 4 de dezembro de 2016

Manifestantes protestam contra pacote anticorrupção em Copacabana


Rio - Uma manifestação contra mudanças no pacote anticorrupção aprovado pelo Congresso levou, neste domingo, pelo menos 10 mil pessoas à Praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio. A maioria dos ativistas carrega faixas e cartazes e veste camisas verdes, amarelas ou da Seleção Brasileira. Os ativistas estão concentrados na altura do Posto 5 e ocupam a faixa direita da Avenida Atlântica.
Alguns carros de som, com pessoas gritando palavras de ordem, estão em parte da via. Os presentes também reivindicam a continuidade da Operação Lava Jato, além do 'fim do modo corrupto de fazer política'. Há também bonecos infláveis, um deles com motivos militares e que exibe uma faixa pedindo a volta da Ditadura Militar. Até o momento, o protesto segue pacífico.
Manifestantes fazem protesto na altura do posto 5, em CopacabanaEstefan Radovicz / Agência O Dia
Movimentos
O Vem Pra Rua (VPR), que participou ativamente da divulgação das medidas anticorrupção, é o principal organizador do ato. E tem o apoio do Movimento Brasil Livre (MBL), que ganhou fama durante o Fora Dilma/Fora PT e agora se dedica a malhar o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).
O Vem Pra Rua se coloca “contra o jeito corrupto de fazer política”, mas defende que essa luta seja travada em clima democrático, em textos no Facebook. Apesar disso, terá o reforço de grupos favoráveis à intervenção militar, que no protesto em São Paulo terão espaço privilegiado na Avenida Paulista.
É a primeira vez que MBL e VPR organizam protestos contra parlamentares — antes, eram muito focados no antipetismo da luta pela retirada de Dilma do poder. A medida mais criticada pelos grupos é o destaque apresentado pelo deputado Weverton Rocha (PDT-MA) que prevê punição por abuso de autoridade a juízes e membros do Ministério Público Federal. Entre os que votaram a favor, estão representantes do PSDB, do DEM e do PTN, partidos pelos quais integrantes do MBL, que se diz apartidário, concorreram — e se elegeram — em pleitos municipais deste ano.
Também na defesa de um Estado menor e “livre da corrupção”, o Vem Pra Rua conquista adeptos desde a campanha pelo impeachment. Com forte apelo por uma ideia de “Brasil unido”, o movimento tem o juiz federal Sérgio Moro, comandante da Lava Jato, como representante máximo do que quer para o país.
No entanto, os interesses e o discurso do VPR não explicitam um viés expressivo do movimento: as relações com o mundo empresarial, as obscuras fontes de financiamento suspeito e acusações de que têm envolvimento com legendas partidárias.

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