Após a “Operação Aleiva”, que culminou na prisão do guarda municipal Uenderson Mattos, o advogado dele, Fernando César Gomes e o guarda ambiental da GCM, Geneci José Maria Filho, o delegado titular da 146ª Delegacia Legal, em Guarus, Luís Maurício Armond, o coordenador Regional do Ministério Público Estadual (MPE/RJ), promotor de Tutela Coletiva Marcelo Lessa e o promotor Criminal, Fabiano Rangel Moreira, deram uma coletiva na noite desta quarta-feira (25/05) na sede do MPE e contaram os detalhes da operação, que teve como objetivo o cumprimento de três mandados de prisão e sete de busca e apreensão.
Uenderson e Geneci estão sendo investigados pela morte da analista judiciária Patrícia Manhães Gonçalves Mattos, de 42 anos, que é esposa do guarda civil municipal. Ela foi executada com dois tiros (rosto e cabeça), dentro do próprio carro, um Chevrolet Spin preto, na frente da sede do Grupamento Ambiental da Guarda Civil Municipal (GCM), onde funcionou a antiga Ceasa, no Parque Boa Vista, no último dia 13 de abril.
Já o advogado, segundo Armond, não está relacionado ao assassinato, mas sim, por coação no curso do processo, pois estaria obrigando testemunhas do caso a alterarem seus depoimentos.
“Conversei com todos os envolvidos e mais uma vez as versões estão contraditórias. Só que agora já houve uma mudança tanto dele (Uenderson) quanto do Geneci. Eles já apontam que se encontraram no dia do fato e que vinham se falando, entretanto, alegam um motivo esdrúxulo para o encontro. Uenderson também diz que emprestava dinheiro a Geneci”, informou Luis Maurício comentando que o guarda teria assumido a relação extraconjugal como consta nos autos do processo.
O delegado também acredita que houve, sim, uma premeditação para o homicídio. Ainda segundo Armond, os suspeitos teriam passado, inclusive, a se precaver e utilizar de alguns recursos para se esquivar do crime.
Quanto ao suposto atirador, Armond falou que ele alega alguns fatos, mas ainda está relutante em dizer se praticou ou não o crime. “Estou avaliando a questão de ele se enquadrar na associação criminosa ou associação ao tráfico de drogas, porque no decorrer das investigações foi apontado que existe um vínculo entre ele, o Geneci e outras pessoas com questões criminosas".
O delegado também verificou que não existe uma corregedoria da Guarda Civil Municipal em Campos. “A gente supõe que um dos motivos de ele (Geneci) não ter perdido esse cargo é que não houve, de repente, uma interação da instituição com as decisões que lhe foram proferidas. Talvez não tenha tido um procedimento administrativo disciplinar adequado. Porquê, não sei? Uma pessoa com oito passagens criminais por homicídio é complicado trabalhar numa atividade, em tese, de segurança”, ressaltou Luis Maurício mencionando que essa é uma investigação, que começou há 40 dias, diferenciada e baseada muito em recursos tecnológicos, análise e inteligência investigatória.
“Essa investigação é de natureza muito complexa. A gente tem uma ideia bem formada dos motivos sim, mas ainda não está completo. Hoje foi decretada prisão temporária (de 30 dias podendo ser prorrogada por mais 30) dos dois principais suspeitos e deve haver mais pessoas. Este é o término de uma primeira etapa e a segunda etapa também começou hoje com as oitivas, com novas investigações e a reconstituição do delito nos próximos dias e a gente espera ter um quadro mais fechado daqui a um mês, ou um pouco antes”, finalizou o promotor criminal.
Fonte Ururau
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